25 de Março de 2026: A ONU reconhece o maior crime da história da humanidade
Por Alexandre Miguel de Souza

Por Alexandre Miguel de Souza
26.03.2026
O dia 25 de março de 2026 será eternizado nos corações das pessoas que lutam pela pauta antirracista, pois a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica reconhecendo o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o “crime mais grave contra a humanidade”.
A proposta foi liderada por Gana, com forte apoio da União Africana e da Comunidade do Caribe (Caricom), marcando um passo significativo na busca por justiça reparatória.
Vale ressaltar que Gana foi a primeira nação da África Subsaariana a se libertar do domínio colonial, inspirando outros países africanos a lutar por sua emancipação.
Esse reconhecimento é uma conquista a ser comemorada, pois a escravidão desumanizou as pessoas negras. Durante o tráfico transatlântico, mais de 12 milhões de pessoas foram sequestradas do continente africano e trazidas para a América, sendo que aproximadamente 1,2 milhão de negros e negras foram jogados ao mar, pois não sobreviveram aos maus-tratos do transporte nas naus tumbeiras.
Acorrentados nos porões dos navios, privados de alimentação adequada, água potável e condições básicas de higiene, além da violência das correntes e dos açoites, muitos não resistiram e faleceram.
O genocídio foi tão grande que alterou o comportamento da fauna marinha, já que os tubarões passaram a seguir os rastros dos navios para se alimentar dos corpos negros lançados ao mar.
Nossos antepassados viraram comida de tubarão.
Até hoje, as pessoas negras são desumanizadas, pois o racismo ainda é uma ferida aberta em nossa sociedade. O Brasil, que possui a maior população negra fora da África e foi o último país das Américas a abolir a escravidão, precisa olhar com atenção para essa data e fortalecer ainda mais as políticas públicas antirracistas.
A luta é grande, mas o nosso caminho foi pavimentado pela resistência e pela luta dos nossos antepassados.
Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

Comentários dos leitores
Carregando comentários…