A anatomia do algoz: quando o oprimido vota na própria extinção

A anatomia do algoz: quando o oprimido vota na própria extinção

Por CristianoTorres1977

09.10.2026

Foto: Produzida com auxílio de IA

Como homem negro, sou praticamente alvo do sistema e corro risco constante de morte, pois a estrutura de poder é branca e odeia a presença negra em espaços de conhecimento, decisão, autoridade e poder. Mesmo nos ambientes da dita esquerda caviar progressista, o que mais existe são racistas travestidos de aliados.

Diante dessa conjuntura e fenômeno em que os menos favorecidos elegem o seu próprio assassino, acredito que seja um mal necessário. Torna-se visível o peso de uma guerra psicológica profunda e do controle ideológico sobre os oprimidos: quando a estrutura aliena a base, o colonizado adota a perspectiva do colonizador e vota contra a própria existência.

Vejo pessoas dentro dessas minorias, incluindo o negro, a mulher e o pobre, agindo de forma abjeta e alienada, operando na mais pura ignorância histórica ao abraçar a mão que as esmaga. O oprimido se espelha no seu próprio opressor, alimentando o desejo doentio de ser igual a ele e adotando suas mesmas ambições de dominação.

Fruto desse apagamento sistemático que faz o oprimido esquecer suas próprias referências e a história das lutas que o trouxeram até aqui, a mulher e as minorias reproduzem a lógica colonial, voltando-se contra si mesmas dentro de um sistema e de uma mitologia que são intrinsecamente xenófobos, capacitistas, racistas, aporofóbicos, machistas, misóginos, sexistas, homofóbicos, transfóbicos e pedófilos.

​É humanamente impossível, para quem conhece a história, aceitar certas culturas e dogmas impositivos, ainda mais quando toda a narrativa do dominador é ancorada em uma grande falácia. Historicamente, o opressor usurpa, apropria-se e utiliza os saberes, as tecnologias e a espiritualidade de outros povos como se fossem invenções suas, transformando a falsificação em verdade absoluta e operando um epistemicídio sistemático.

Fazem a sociedade desacreditar da ciência, da razão e da historicidade. Usam uma divindade construída à imagem dos seus próprios interesses coloniais, uma figura que de divindade não tem nada, pois foi convertida no maior símbolo de violência, genocídio, escravização e dominação da história mitológica. Essa construção virou livro sagrado e dogma de uma falsa moralidade usada para domesticar e subjugar. Somente quem teve a consciência aniquilada segue passivamente o padrão de seu colonizador, explorador, expropriador, espoliador e desumanizador.

Esse projeto colonial e expansionista só veio para roubar, matar e destruir.

Não precisa de título acadêmico (pós-doc) para enxergar o óbvio: a hegemonia eurocêntrica e o modelo de dominação do homem branco constituem a maior força de desestabilização da história, promovendo guerras, racismo e devastação, mantendo o controle real sobre o planeta terra.

Oprimindo o opressor!

Cristiano Torres é professor especialista, pesquisador CAPES, mestrando em Letras e analista crítico das desigualdades sociais.

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