A camisa canarinho e o peso da polarização política

Por Alexandre Miguel de Souza
06.07.2026
Imagem: Instagram
Depois que a extrema direita tomou posse da camisa do Brasil, não ganhamos mais nada.
A camisa canarinho, que durante décadas simbolizou a paixão de um povo pelo futebol, foi transformada em instrumento de disputa política. O que antes representava a diversidade, a alegria e a identidade nacional passou a carregar uma forte carga negativa para milhões de brasileiros.
Nos últimos anos, a camisa da seleção brasileira deixou de ser vista apenas como um símbolo esportivo. Sua imagem foi associada a manifestações políticas, discursos radicais e comportamentos que aprofundaram as divisões do país. Como consequência, muitas pessoas passaram a evitar o uso da camisa por não se sentirem representadas pelo significado político que lhe foi atribuído.
O que era motivo de união passou a ser associado à intolerância, ao radicalismo e à canalhice de quem acredita que os símbolos nacionais pertencem a um único grupo. Essa apropriação simbólica criou uma barreira entre brasileiros que deveriam se reconhecer sob as mesmas cores, independentemente de suas opiniões políticas.
A bandeira, o hino e a camisa da seleção são do povo brasileiro, não de partidos, líderes ou movimentos políticos fascistas. Nenhum grupo tem o direito de monopolizar símbolos que pertencem à história e à cultura nacional.
Talvez esteja na hora de resgatar esses símbolos e devolvê-los ao seu verdadeiro dono: o Brasil. Um país plural, diverso e democrático, onde a camisa da seleção volte a representar apenas aquilo que sempre deveria representar: a paixão pelo futebol e o orgulho de ser brasileiro.

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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