A conduta da senadora paraguaia merece punição. Racismo é crime

A conduta da senadora paraguaia merece punição. Racismo é crime

Por Alexandre Miguel de Souza

08.07.2026

Imagem: Wikipédia

As declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o jogador francês Kylian Mbappé são racistas, ofensivas e incompatíveis com a responsabilidade de quem ocupa um cargo público.

Além de questionar a nacionalidade e a identidade de Mbappé em razão de suas origens africanas, a parlamentar publicou ataques de extrema gravidade, afirmando: "Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés."

A comparação de pessoas negras a macacos é uma das expressões mais antigas e perversas do racismo. Durante séculos, esse tipo de discurso foi utilizado para desumanizar africanos e seus descendentes, justificar a escravidão, a segregação racial e diversas formas de violência e exclusão social.

As declarações da senadora também ignoram fatos básicos sobre a trajetória de Mbappé. O jogador nasceu em Paris e cresceu em Bondy, um subúrbio ao norte da capital francesa. Ele possui origens africanas: seu pai, Wilfried Mbappé, é camaronês, e sua mãe, Fayza Lamari, é de ascendência argelina.

Assim como milhões de cidadãos ao redor do mundo, Mbappé é fruto da diversidade cultural que caracteriza as sociedades contemporâneas. Suas origens familiares não diminuem sua identidade nacional francesa nem servem de justificativa para ataques preconceituosos.

Não se trata de uma simples opinião ou de uma crítica esportiva. Trata-se de uma manifestação que reproduz estereótipos racistas historicamente utilizados para negar a humanidade de pessoas negras. Quando esse tipo de declaração parte de uma autoridade pública, o impacto é ainda mais grave, pois contribui para normalizar o preconceito e o discurso de ódio.

As falas da senadora provocaram indignação dentro e fora do Paraguai, gerando críticas de organizações, ativistas e cidadãos comprometidos com os direitos humanos e a igualdade racial.

O combate ao racismo exige posicionamento firme da sociedade e das instituições. Figuras públicas devem promover o respeito, a convivência democrática e a dignidade humana, jamais utilizar sua influência para disseminar preconceitos. 

Racismo não é opinião. Racismo é discriminação, violência simbólica e ataque à dignidade das pessoas. Casos como este reforçam a necessidade de responsabilização e de uma atuação firme contra todas as formas de intolerância racial.

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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