A engenharia do sigilo: obra de Camilo Vannuchi reconstrói os bastidores da maior denúncia contra a tortura no Brasil

Por Cidinha Santos

A engenharia do sigilo: obra de Camilo Vannuchi reconstrói os bastidores da maior denúncia contra a tortura no Brasil

Por Cidinha Santos

09.04.2026

Existem episódios na história do Brasil que, de tão cinematográficos, parecem pertencer ao campo da ficção. No entanto, a realidade dos porões da ditadura militar foi documentada com um rigor que sobreviveu ao tempo e ao silêncio imposto pelo Estado.

É sobre essa missão fundamental da democracia que versa o novo livro-reportagem do jornalista e pesquisador Camilo Vannuchi, intitulado Nunca Mais: os bastidores da maior denúncia contra a tortura já feita no Brasil.

O lançamento em Santos ocorre no próximo dia 23 de abril, na Livraria Realejo, localizada na Avenida Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga, das 18h às 20h, com a presença do autor para uma sessão de autógrafos.

Publicada pela editora Discurso Direto, com o apoio do Grupo Prerrogativas e prefácio assinado por Jamil Chade, a obra é um mergulho eletrizante na força-tarefa que, entre 1979 e 1985, operou em absoluto sigilo para copiar e analisar mais de um milhão de páginas de processos judiciais do Superior Tribunal Militar.

Essa operação clandestina, liderada por figuras icônicas como Dom Paulo Evaristo Arns e o reverendo Jaime Wright, resultou no histórico projeto Brasil: Nunca Mais.

Vannuchi, que é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela USP e ex-membro da Comissão da Verdade da Prefeitura de São Paulo, utiliza sua expertise para humanizar os personagens dessa jornada, detalhando como advogados, religiosos e jovens pesquisadores arriscaram suas vidas para coletar provas que identificaram nominalmente 444 torturadores e localizaram 242 centros de repressão.

A narrativa é ágil e necessária, não se limitando aos dados frios, mas reconstruindo a tensão da operação que desafiou a Justiça Militar em um momento em que a abertura política ainda era uma promessa frágil.

Ao expor as entranhas da violência de Estado, o autor transforma o arquivo em memória viva, combatendo o negacionismo histórico com fatos incontestáveis. A escolha da Livraria Realejo para este lançamento reforça o papel de Santos como um polo de debate intelectual e defesa intransigente dos direitos humanos. O evento é aberto ao público e o livro, em edição de capa dura com 240 páginas, terá o valor sugerido de 99 reais.

Mais do que a apresentação d obra, o encontro é um convite à reflexão sobre a importância de conhecer o passado para garantir que as violações de direitos humanos jamais sejam esquecidas e, principalmente, para que nunca mais se repitam no solo brasileiro.

Cidinha Santos é jornalista, assessora de comunicação do Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras e dos movimentos sociais, Promotora Legal Popular e membra da Frente pela Legalização do Aborto, Baixada Santista e cantante do Grupo Vozes

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