“A escala 6X1 está com os dias contados”, garante Érika Hilton

Em Santos, para centenas de estudantes e lideranças que lotaram o anfiteatro da Unifesp, a parlamentar previu a leitura do relatório dia 26 e aprovação dia 27 da escala 5X2 em todo o país

“A escala 6X1 está com os dias contados”, garante Érika Hilton

Carlos Ratton

15.05.2026

Deputada Federal por São Paulo (PSOL-SP), exercendo mandato de 2023 a 2027, Érika ainda revelou ao público presente - que ainda ocupou as calçadas em frente a universidade na noite da última quinta-feira (14) - que a nova carga horária trabalhista (40 horas semanais) é apenas o começo. “Em dois anos, vamos partir para a escala 4X3, 36 horas semanais. O Mundo inteiro está reduzindo a escala e no Brasil não será diferente”.  

Primeira mulher trans e negra eleita para a Câmara dos Deputados na história do Brasil, tendo recebido 256.903 votos em 2022 e, atualmente, exercendo a presidência da Comissão da Mulher, com foco no combate à violência de gênero. Érika conversou com os Inconfidentes após mais de uma hora de palestra, ao lado da vereadora santista Débora Camilo (PSOL- foto abaixo). Também estavam presentes os vereadores Marcos Caseiro e Chico Nogueira, ambos do PT.

À Reportagem, a deputada confirmou que protocolou, nesta quarta-feira (13), uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja apurado o possível vínculo entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, após o áudio veiculado pelo The Intercept Brasil. (Confira os desdobramentos nessa reportagem).  

“É preciso investigar para saber qual é o nível de relação que existe. Corrupção passiva, enfim, todos os crimes que possam porventura estarem atrelados à figura do Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Então a PGR precisa investigar tudo o que está em torno dessa relação entre eles”, disse Érika.

Vale lembrar que a também deputada Sâmia Bonfim acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu a prisão preventiva do senador. Deputados federais do PT, PSOL e PCdoB anunciaram nesta quarta-feira (13) que vão apresentar uma denúncia à Polícia Federal (PF), bem como um requerimento à Receita Federal e um pedido de abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), para investigar a relação entre ambos

“A gente aciona a Justiça sempre esperando que alguma coisa aconteça. Muitas vezes ela é negligente e falha. Mas a nossa esperança é que vai dar certo. Que alguma coisa vai acontecer. Talvez a prisão não aconteça. Talvez seja um pouco a mais. Mas alguma medida precisa ser tomada”, afirma Érika Hilton, que não descartou a que o caso que praticamente dominou o noticiário dos último três dias em todo o Brasil e vem ganhando ‘ingredientes’ a todo momento, resvale na possibilidade de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, conforme manifestação de dezenas de comentaristas e jornalistas brasileiros.  

“Há muitos indícios. Obviamente que a Justiça, lá na frente, é quem vai precisar dizer se tem ou se não tem esses crimes. Nós estamos falando ainda de uma suspeição. De uma suspeita relacionada à relação e a todo escândalo que envolve o caso Master. O caso Master é um escândalo muito profundo. Então muito provavelmente esse tipo de crime deva aparecer”, disse a deputada no saguão da universidade.

Detergente

Aos Inconfidentes, Érika Hilton não escondeu o incômodo sobre os ataques de bolsonaristas e suas lideranças à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por conta da suspensão da fabricação e o recolhimento de lotes de detergente lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê. Ela acredita que já é hora de se criar uma legislação que criminalize ações que banalizam e promovam desinformação relacionadas à saúde pública no Brasil.

“Está mais do que na hora das pessoas serem penalizadas, principalmente autoridades. Por exemplo, o vice-prefeito de São Paulo (Ricardo Mello Araújo). O cara não vai tomar detergente porque ele não está nesse nível de loucura. Mas ele vai lá incentivar o uso. O deputado Nicolas Ferreira vai lá e incentiva o uso. Influenciadores da extrema direita vão lá e incentivam o uso. Estamos falando de uma bactéria que mora dentro de um detergente. Já é grave por aí. Que é uma bactéria que resiste ao sabão. E é uma bactéria que resiste à medicação. É uma bactéria forte. Você colocar as pessoas para terem contato com esse tipo de bactéria”, comenta.

Junto com a vereadora paulistana Amanda Paschoal (PSOL), Érika acionou o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Secretaria Nacional do Consumidor contra Araújo (PL), após ele incentivar seus seguidores nas redes sociais a comprarem produtos da Ypê depois que a Anvisa alertou que determinados produtos da marca apresentam risco sanitário.

As representações pedem a abertura de inquérito civil, procedimento investigatório criminal e processo administrativo para apurar a conduta do vice-prefeito, que é coronel da PM de São Paulo. Entre as medidas solicitadas estão a remoção do vídeo das redes sociais, aplicação de multa, veiculação de contrapropaganda e eventual responsabilização criminal por promover publicidade abusiva.

“Eles acreditam que a Anvisa é parte de um partido político. Na verdade, estão atacando a saúde pública do povo brasileiro e levando as pessoas até, muito provavelmente, à morte. Então, se você legaliza esse tipo de coisa, amanhã a gente não sabe o que vai aparecer. Nunca chegamos a esse nível de loucura. Onde as pessoas tomariam, mamariam detergente? Isso é algo completamente novo na história da humanidade. Então, pegando o viés da saúde pública e da integridade física das pessoas, é possível, sim, pensar em algum nível de legislação que crie algum tipo de penalidade. Para as pessoas que façam apologia a qualquer situação que coloque em risco a saúde da população”.

A deputada

Considerada a melhor deputada federal do Brasil em 2024 e 2025, Érika Hilton vem atuando na defesa dos direitos humanos e foi vereadora mais votada do país em 2020 antes de chegar ao Congresso. Na Comissão a qual preside, tem como foco o enfrentamento a um "sistema organizado de opressão" e a defesa de todas as mulheres. Sua gestão foca em investigar violências por transfobia e promover a igualdade, enfrentando intenso debate ideológico e oposição interna.

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