A Escravidão Ainda Não Acabou

A Escravidão Ainda Não Acabou

Por Alexandre Miguel de Souza

07.05.2026

A escravidão ainda não acabou,

ela apenas se modernizou.

É a patroa que usa o vaso sanitário

e não aperta a descarga,

porque sabe que haverá uma empregada para limpar.

É o patrão que explora

com jornadas de trabalho exaustivas.

É a patroa que agride, humilha,

dá tapas, ameaça e desumaniza.

É quem explora ao máximo

e paga o mínimo à trabalhadora.

É quem critica direitos trabalhistas,

mas usa o próprio privilégio

para oprimir quem é vulnerável.

 

A escravidão ainda não acabou,

ela apenas se modernizou.

Há patrões com alma escravocrata

que nunca aceitaram, de fato,

o fim da escravidão.

 

A escravidão ainda não acabou,

ela apenas se modernizou.

É o patrão que assedia sexualmente a empregada,

que humilha, maltrata

e transforma necessidade em submissão.

A empregada vulnerável

trabalha duro, mesmo oprimida.

Permanece invisibilizada

por um sistema cruel, patriarcal,

machista, sexista, misógino

e também racista.

 

A escravidão ainda não acabou,

ela apenas se modernizou.

Adquiriu novas formas

de sangrar a nossa carne,

de ferir a nossa humanidade.

 

A escravidão ainda não acabou.

Ela apenas mudou de forma,

de roupa e de discurso —

mas continua presente

na exploração cotidiana

de quem vive do próprio trabalho.

 

A escravidão ainda não acabou, ela apenas se modernizou.

 

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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