A humanidade adoeceu e o futuro do Brasil me preocupa

Por Alexandre Miguel de Souza
20102026
Foto: Brasil Escola
Meus amigos e minhas amigas,
Independentemente do resultado das eleições, confesso que estou muito preocupado com o futuro deste país.
Durante a pandemia, cheguei a acreditar que a humanidade sairia daquela tragédia melhor, mais solidária, mais empática e mais consciente da importância da vida. Afinal, diante de tanto sofrimento, pensei que aprenderíamos alguma coisa.
Mas, ao observar o avanço da extrema direita no Brasil e no mundo, percebo, com profunda tristeza, que a humanidade continua revelando sua face mais perversa.
Existe uma parcela da sociedade que ainda carrega uma mentalidade escravocrata, misógina, homofóbica, capacitista e etarista. Gente que transforma o preconceito em opinião, a intolerância em virtude e a mentira em instrumento de disputa política.
Com quem se recusa a reconhecer a dignidade do outro, não existe debate honesto no campo das ideias. Como construir um diálogo quando o preconceito substitui os argumentos e as fake news se sobrepõem aos fatos?
Não se trata de discordar de uma posição política. A democracia pressupõe divergências, confrontos de ideias e opiniões diferentes. O problema começa quando o ódio se torna um projeto político, quando a desumanização do outro é normalizada e quando direitos fundamentais passam a ser tratados como privilégios.
O que mais me assusta não é apenas o crescimento da extrema direita, mas a naturalização da crueldade, a banalização da mentira e a disposição de tantas pessoas para abrir mão da empatia em nome de suas convicções.
A humanidade adoeceu.
Talvez o maior perigo seja justamente este: começarmos a achar normal aquilo que deveria nos causar indignação.
Ainda acredito na solidariedade, na justiça social, na democracia e na capacidade humana de transformar a realidade. Mas não podemos fechar os olhos para o que está acontecendo.
Porque o silêncio diante do preconceito, a indiferença diante da injustiça e a tolerância com o ódio também cobram seu preço.
Independentemente de quem vença as eleições, a pergunta que fica é: que sociedade estamos construindo e que país deixaremos para as próximas gerações?

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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