A importância do cinema e a luta para sobreviver do cinema brasileiro
A importância do cinema e a luta para sobreviver do cinema brasileiro Por Roberto Canuto

A importância do cinema e a luta para sobreviver do cinema brasileiro
Por Roberto Canuto
15.01.2026
A origem da interpretação
O teatro foi criado na Grécia Antiga, no século IV a.c, influenciado por festas dionisíacas. As pessoas se reuniam em arenas semicirculares, feitas de palco e arquibancada, para assistir, quase sempre, duas tragédias e uma comédia.
Eram momentos em que o público se identificava com personagens e revia sua postura pessoal ou social na vida real. Máscaras que identificavam personagens, muitas vezes tinham um cone por trás do orifício que iniciava na boca do ator, para amplificar o som da voz que chegaria melhor ao público mais distante, já que não havia aparelho de som. Isso foi há 2600 anos atrás.
De lá para cá vieram as trupes de teatro, as grandes casas de shows, as novelas de rádio, o cinema mudo e o falado, além da televisão e, é claro, a internet. Assim, já que o cinema é filmado e representado, ele é "filho" do teatro.
O início do Cinema
Em 1895, os irmãos Auguste e Louis Lumière realizaram a primeira exibição pública cinematográfica, quando vários espectadores se jogaram ao chão, achando que um trem que se aproximava na filmagem em preto e branco os atropelaria. Isso foi a 130 anos.
Muitos heróis participaram da criação da chamada "sétima arte", que mesmo sendo filha do teatro, foi considerada uma nova categoria artística. Muitas pessoas ligadas à ciência colaboraram para que a fotografia fosse inventada até evoluir para a filmagem. O talento de produzir, dirigir e finalmente interpretar realidade ou ficção vem sendo passado de geração em geração.
Assim como no Grécia Antiga, uma história ou estória interpretada ajuda-nos a conhecer outros lugares, outras épocas, outros modos de pensar. Muito além disso, nossa identificação com um personagem ou uma situação de vida pode nos ajudar a viver melhor. O cinema, como um livro, como uma boa letra de música ou até um quadro, pode ajudar a mudar nossa forma de ver o mundo.
Hollywood e o resto do mundo nas telas
O cinema começou na Europa e se espalhou pelo mundo como uma das mais importantes e lucrativas formas de entretenimento, mas foi nos Estados Unidos que, principalmente após a Segunda Grande Guerra que deu um salto, afinal o dinheiro estava lá e, apesar do crescimento em todos os continentes a liderança em tudo da sétima arte está nos EUA
Uma das formas de vermos essa diferença é na entrega do Oscar todos os anos. Filmes em outras línguas passaram a concorrer na principal premiação como "Melhor Filme Estrangeiro". Outros prêmios de relevância são o "Festival de Cannes" na França (Palma de Ouro) e o "Festival de Veneza" na Itália. O "Globo de Ouro" seria o 2o mais importante por ser também entregue por estadunidenses.
Cinema Brasileiro - luta por investimento e reconhecimento
Nunca foi fácil fazer cinema no Brasil. A primeira filmagem foi feita em 1896 por um belga. O primeiro filme em 1908 (Os Estranguladores) pelo luso-brasileiro Antônio Leal.
Aqui a dificuldade financeira para se viver de arte já é bem conhecida por nós, num país onde infelizmente o ator, cantor o pintor ficaram muito tempo sendo vistos como pessoas sem rumo, sem profissão e até como vagabundos mesmo.
Além disso tanto a música como o teatro e o cinema foram perseguidos por várias ditaduras, desde Vargas até Bolsonaro, com censura e até prisões na ditadura entre 1964 e 1985.
Foram tempos de sobrevivência do cinema por esforço dos próprios participantes das empreitadas de cada filme ou de mecenas que bancavam a produção.
No governo fascista de 2019 a 2022, a Lei Rouanet (que incentiva empresas a apoiarem a cultura com parte do imposto devido) foi desestimulada pelo "desgoverno" e massacrada pelos seguidores do inelegível e a mídia conservadora.
O Brasil só tem um Oscar em seu nome, o de melhor filme estrangeiro, conquistado ano passado com a produção e direção de Walter Salles, que bancou boa parte do filme através do banco que diretor.
Lembrando que a "estatueta" tem 96 anos. Mas estamos felizes por tantos prêmios em outros festivais tão bons e menos discriminadores, como o Globo de Ouro da talentosa Fernanda Torres e o de Wagner Moura nesse ano, além de "Melhor filme estrangeiro".
Fernanda tem outros prêmios internacionais e vários atores, produtores, diretores e suas equipes também. Se Fernanda Montenegro e outros não ganharam, podemos citar preconceitos contra o Brasil e outras coisas, mas o que importa é que o Brasil tem profissionais maravilhosos no cinema e em todas as artes. Somos invejados por nossa criatividade.
Belas horas aos que respeitam a arte! Aos que não, também, mas mantenha-os longe.
Roberto Canuto é poeta, cantor, compositor e professor de arte

Comentários dos leitores
Carregando comentários…