A língua do L e os sinais da resistência

Por Marli Gonçalves
17.10.2026
Imagem Divulgação
O L, o “éle”, reproduzidos nos dedos, conteúdos divertidos, imagens inesquecíveis. Aconteça o que acontecer são especiais as manifestações e movimentações dos últimos dias em prol de virar votos e salvar o país da abusada familícia.
A grafologia considera a letra L maior que as demais, a que indica autoconfiança, presença marcante. Atenção aos detalhes e calma sob pressão. Ponte entre céu e terra, uma linha vertical, espiritual, que ao se estender representa partilha e ação. O L como inicial expressaria energia animada, otimista, sociável, com forte facilidade para se expressar e inspirar os outros.
Pois o L, a letra, sua simplicidade e simbologia, de repente passou a ser usada por uma imensa parcela da população, incluindo surpreendentemente – e ressalto – muitos, e quem nunca foi petista, mas sabe a importância de preservar a democracia, na forma de declarar a posição nessa batalha de um país infelizmente dividido. Virou cumprimento nas ruas e manifestações.
Gerou logotipos e cartazes. Poses para fotos que inundam as redes sociais, provocando que mais e mais pessoas e categorias se posicionem enquanto é tempo nesses dias. Desde já também um histórico movimento de marketing político e de imagens a ser anotado. Aconteça o que for.
O L, as batalhas, um Exército de milhões em ação, o número 13, o uso das redes sociais em posts informativos, o vermelho, detalhes, jovens, idosos, a formação de grupos de resistência, de profissionais, artistas, celebridades, times, o humor e a criatividade surgem despertos após uma dormência e tristeza inacreditável durante a campanha regular.
Sacudido após o resultado do primeiro turno daí eclodiu um movimento popular, uma esperançosa resposta à indescritível angústia que a muitos chegou a adoecer. Aconteça o que acontecer já está dada uma clara dimensão, de certo ponto até maniqueísta, da luta do Bem contra o Mal. Não cessará.
Mais do que apoiar Lula, o atual presidente; é ele, o L, que agora personifica o que temos, mesmo com todos os problemas que não devem mesmo ser negligenciados, o nome que estará na urna contra a volta de um sobrenome e de retrocessos em conquistas que nos são tão valiosas.
É uma tortura prestar atenção real nas falas e propostas do adversário, inexequíveis e sem sentido, infantis e levianas na busca de falar o que lhe disseram que queremos ouvir, no despreparo para lidar com coisas sérias que precisam ser resolvidas de verdade. Ameaças aos projetos sociais, minorias, mulheres, economia, independência entre poderes, religiões, religião. Querem coisa mais ridícula do que o tal “Ministério da Prosperidade”?
Mais poucos dias, debates, entrevistas, pesquisas, revelações e muitas manifestações. Coração aos pulos. Mas aconteça o que acontecer, uma boa notícia: a de que na hora do vamos ver a frente democrática estará viva e unida contra os dois patinhos e seus amigos feios na lagoa.

MARLI GONÇALVES – Jornalista, cronista, consultora de comunicação, com passagem por alguns dos principais veículos, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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