A música. O Brasil. As copas. Cantaremos o hexa?

Por Luciano Albano

A música. O Brasil. As copas. Cantaremos o hexa?

Por Luciano Albano

03.04.2026 

Ela está chegando... A Copa do Mundo de 2026 reunirá 48 seleções e será sediada em 3 países: Estados Unidos, México e Canadá. Os preparativos estão na reta final e o início será em Junho.

O torneio será realizado sob uma névoa de incerteza geopolítica que afeta diretamente o campo e as arquibancadas. Apesar situação preocupante, a FIFA garante a realização.

Independentemente deste lamentável cenário, o foco deste artigo é a importância da música nas Copas, especialmente no Brasil. Quem não se lembra das canções que embalaram nossas seleções nas Copas? Só para relembrar:

1. O Novo Hino: "Único Penta é o Brasilzão" (58 foi Pelé)

Essa se tornou a música número 1 nos últimos mundiais. Ela faz uma cronologia dos títulos e dos craques, sendo a resposta brasileira aos cantos argentinos.

“É, em 58 foi Pelé / Em 62 foi o Mané / Em 70 o Esquadrão / Primeiro a ser tricampeão / Ô, 94 Romário / 2002 Fenômeno / Primeiro tetracampeão / Único penta é o Brasilzão!”

2. A Clássica Provocação: "Brasil 70"

Foca na mística da Seleção de 1970 e na "Amarelinha".

“Vamo, vamo, vamo meu Brasil / Joga com raça e coração / Eu tô aqui para te apoiar, minha seleção / Amarelinha seu passado é de glórias / Brasil 70, o maior time da história!”

3. Para Embalar o Estádio: "Brasil Olê, Olê, Olê"

Inspirada no ritmo de "Volare", é curta e explosiva para momentos de pressão no jogo.

“Cinquenta e oito / Sessenta e dois, ôôô / Setenta, noventa e quatro / Dois mil e dois, ôôô / Brasil olê, olê, olê!”

4. Hinos de Época (As "Antigas" que nunca morrem)

Como você transita bem entre o Samba e o Pop-Rock, certamente reconhece o valor dessas composições que viraram parte do DNA cultural:

•      Pra Frente Brasil (1970): "Noventa milhões em ação / Pra frente Brasil, do meu coração..."

•      Voa Canarinho (1982): Interpretada pelo Júnior, é o puro suco do samba e da ginga brasileira.

•      A Taça do Mundo é Nossa (1958): A marchinha que estabeleceu o Brasil como a "Escola do Futebol".

Como podemos notar, as canções mobilizam o povo para apoiar a Seleção quando se percebe a união, identidade, trabalho, respeito e mobilização de jogadores e dirigentes. Hoje a "Amarelinha" deixou de simbolizar esportivamente o Brasil para se tornar um uniforme carregado de viés político.

Para uma expressiva parte da população, usar a camisa verde-amarela demonstra uma inclinação ideológica específica, gerando resistência em quem não compartilha com essas visões.

Assim, as músicas de Copa como “Pra frente Brasil !” ou “Coração Verde e Amarelo” destrói o elo de união em torno da Seleção. Há uma crise de identidade voraz entre jogadores e o povo. O torcedor cada vez mais observa os atletas meramente preocupados com suas marcas pessoais do que representar com raça, orgulho e determinação com a camisa do Brasil.

O futebol brasileiro perde seu protagonismo ao longo dos anos pela irresponsabilidade e a gestão pífia da CBF que é incapaz de gerir um projeto técnico claro que una competentemente o “futebol arte” e o talento de seus atletas.

Para “coroar” esta situação incômoda para os amantes do bom futebol, assistimos perplexos a erros crassos de marketing na seleção. A campanha da Nike para o lançamento do novo uniforme da Seleção é um desastre.

“Vai, Brasa” é um acinte. Nosso torcedor jamais relacionou a seleção canarinho ao “Brasa”. E isso nada tem a ver com a designer, que ao meu ver, acertou no projeto do uniforme que ficou muito bonito. O problema foi a condução do marketing impondo um termo totalmente equivocado e inexistente.

Dito tudo isso, é importante ressaltar que a música que embala a torcida possui um papel forte e significativo nas Copas. Oxalá possamos desfrutar dessas canções para a construção em torno do Hexa. É sempre bom ressaltar que o futebol nem sempre premia o melhor. Os deuses do futebol são completamente malucos.

Espero que o nosso técnico italiano possa fazer boas escolhas, com jovens e talentosos atletas. Que haja união, respeito, amor à camisa e muita raça.

Minha visão otimista pode cair com a seleção, como nas últimas quartas de finais com o incompetente Tite. Mas sou um daqueles que, apesar de tudo, não desiste diante da paixão que vem de berço, desde os anos 70. “Salvem a Seleção”!

Luciano Albano é músico e publicitário, formado em Comunicação Social

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