Abandono e degradação no Centro de Santos (SP). Até quando a Prefeitura vai fechar os olhos?

Por Alexandre Miguel de Souza
Foto: Divulgação
O prédio abandonado localizado na Praça da República, nº 60, no Centro de Santos, tornou-se motivo de preocupação para quem circula pela região e, principalmente, para os comerciantes que trabalham diariamente no entorno. O imóvel é alvo de vandalismo e, segundo relatos, apresenta forte cheiro de fezes e urina, expondo a população a condições degradantes e comprometendo a higiene, a saúde pública e a dignidade humana.
Em conversa com comerciantes, fui informado de que o local tem servido de abrigo para pessoas em situação de rua. Essa realidade exige uma resposta responsável do poder público. Não podemos naturalizar a degradação de um espaço urbano, tampouco ignorar a vulnerabilidade de pessoas que, sem moradia e sem condições dignas de sobrevivência, acabam ocupando imóveis abandonados. Essas pessoas precisam de acolhimento, assistência social e políticas públicas efetivas, não de invisibilidade.
Ao mesmo tempo, os comerciantes vivem sob a insegurança, preocupados com a conservação do entorno, a circulação de clientes e os possíveis riscos à integridade de quem trabalha e transita pela região. Ninguém deve ser obrigado a conviver com o abandono, a insalubridade e o medo por falta de providências do poder público.
A Prefeitura de Santos tem responsabilidade na fiscalização urbana, na proteção da saúde pública e na articulação de medidas de assistência social. É necessário identificar os responsáveis pelo imóvel, exigir as providências cabíveis e, dentro das competências municipais, garantir a limpeza, a segurança e a destinação adequada do espaço. Também é fundamental oferecer atendimento social às pessoas que estão utilizando o prédio como abrigo.
O Centro de Santos não pode continuar refém do abandono. Resolver essa situação exige planejamento, fiscalização e humanidade. Não basta retirar as pessoas do local sem oferecer alternativas dignas, nem permitir que comerciantes e moradores convivam indefinidamente com um problema que demanda ação concreta do poder público.

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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