Acidente na travessia: Inconfidentes vêm alertando tragédias anunciadas
Carlos Ratton

Carlos Ratton
17.02.2026
Foto: Reprodução/Tony Valentte/Agência SP
O acidente envolvendo um navio cargueiro e duas balsas, às 22 horas da última segunda-feira (16), que está sendo amplamente explorado nas mídias sociais como uma situação ‘absurda’, na verdade, é apenas a ponta do iceberg dentro do canal do Porto de Santos, o maior da América Latina.
Felizmente, os quatro tripulantes das balsas (um comandante e três marinheiros) não se feriram. Eles se lançaram ao mar por medida de segurança, nadaram e foram resgatados por lanchas da Praticagem. No entanto, uma tragédia vem sendo anunciada há meses, pois não só balsas, mas diversas embarcações não aguardam no atracadouro os navios passarem, como manda o regulamento de segurança.
Não é de hoje que o canal vem sendo negligenciado pelas prefeituras de Santos e Guarujá, Capitania dos Portos e pela Autoridade Portuária de Santos (APS) que, apesar de alertados, não conseguem sequer regulamentar, em terra e em mar, o estacionamento e o tráfego de uma simples canoa havaiana. Ver https://osinconfidentes.com.br/por-mar-ou-por-terra-canoas-havaianas-seguem-sem-regras-e-fiscalizacao/.
Denúncias encaminhadas à Capitania dos Portos e repassadas com exclusividade aos Inconfidentes, de supostas ocorrências de desvio de finalidade associadas à falta de segurança no canal do Porto de Santos, não foram suficientes para sensibilizar as autoridades envolvidas diretamente com a questão.
O que se vê é um verdadeiro jogo de empurra. A Prefeitura de Santos até hoje não conseguiu regulamentar e nem fiscalizar a atividade por terra.
A Autoridade Portuária de Santos (APS), uma empresa pública vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos e responsável pelo planejamento logístico e administração da infraestrutura do Porto Organizado de Santos, diz que a autorização e fiscalização das atividades de canoa havaiana não é de sua responsabilidade, mas sim, da Capitania dos Portos, representante da Marinha do Brasil que, ainda não se manifestou sobre fiscalização das atividades das canoas havaianas e nem de outras embarcações no Porto de Santos.

Estado
O Governo do Estado de São Paulo, por sua vez, também não dá muita esperança na questão operacional. Segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI), as primeiras novas embarcações começam a operar a partir do terceiro ano da concessão e, até o sétimo ano, toda a frota estará integralmente renovada. Portanto, as atuais balsas devem continuar operando até meados de 2029.
Revela ainda que o sistema de balsas entre Santos e Guarujá permanece integralmente sob responsabilidade do poder concedente (Estado), uma vez que, embora o certame já tenha sido homologado e adjudicado, o contrato ainda não foi assinado.
O contrato prevê investimento de R$ 2,5 bilhões para a renovação completa da frota, com a substituição das atuais balsas movidas a diesel por mais de 40 embarcações 100% elétricas em todo o sistema concedido. Após a assinatura do contrato, e dentro do prazo legal após a homologação, terão início as melhorias operacionais.

Sobre o acidente
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Coordenadoria de Travessias, informa que a embarcação FB-15, que realizava manobra de apoio à FB-14 na travessia entre Santos e Guarujá, foi atingida pelo navio Seaspan Empire.
No momento do acidente, as duas embarcações estavam fora de operação e ocupadas apenas por suas tripulações, portanto sem veículos de passeio ou passageiros nas embarcações. Os danos foram restritos à proa de uma delas.
Ainda segundo a Semil, diante do ocorrido, as embarcações envolvidas estão fora de operação no lado de Santos, aguardando determinação da Capitania dos Portos. A travessia de balsas entre as cidades opera normalmente com as demais embarcações da frota.
A Coordenadoria de Travessias acompanha a apuração dos fatos junto às autoridades marítimas e reforça que, desde a última quinta-feira (12), está em vigor o plano operacional especial para o feriado de Carnaval nas oito travessias litorâneas do Estado, com frota ampliada e monitoramento contínuo para garantir segurança e fluidez no transporte. A operação segue até 18 de fevereiro.

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