Acidentes de trabalho disparam na Baixada Santista e crescem acima de São Paulo e do Brasil
O número de acidentes de trabalho na região cresceu quase três vezes mais que a média nacional entre 2020 e 2024

Sandro Thadeu
28.04.2026
Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A escalada dos acidentes de trabalho na Baixada Santista nos últimos anos acende um sinal de alerta sobre as condições de segurança e a organização dos trabalhadores na região. Entre 2020 e 2024, o número de ocorrências mais que triplicou, apresentando um crescimento de 213%. O índice é alarmante, especialmente quando comparado ao ritmo de avanço observado no estado de São Paulo e no Brasil no mesmo período.
Os dados, extraídos pela Reportagem do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT), mostram que os registros nas nove cidades locais saltaram de 834, em 2020, para 2.615 casos anuais, em 2024 – sendo 31 óbitos. No mesmo período, São Paulo passou de 154.861 para 282.170 ocorrências, enquanto o Brasil saiu de 465.772 para 834.048 registros, com crescimentos de 82% e 79%, respectivamente, evidenciando um avanço mais acelerado na Baixada Santista.
Este diagnóstico regional ganha contornos de urgência diante das ações do Abril Verde, mês dedicado à prevenção de riscos ocupacionais. O cenário regional confere um peso maior ao 28 de abril, Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, transformando a data em um marco não apenas de luto, mas de cobrança por políticas de segurança mais eficazes.
A data foi instituída após um grave acidente em uma mina nos Estados Unidos, em 1968, e se consolidou como um marco global de reflexão sobre saúde e segurança no trabalho. No Brasil, essa mobilização foi incorporada ao calendário oficial em 2005, com o objetivo de preservar essa agenda e reforçar a importância de ambientes laborais mais seguros.
Registros formais e subnotificação
O levantamento também revela mudanças no perfil dos registros. Os casos com Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) registrada, ou seja, formalmente informados ao INSS, subiram de 138, em 2020, para 709, em 2024.
Por outro lado, os acidentes sem CAT registrada no INSS, identificados posteriormente por meio de nexo técnico que relaciona a doença ou lesão ao trabalho, apresentaram crescimento contínuo. Os registros passaram de 478, em 2020, para 822, em 2024.
Esse dado indica que parte dos trabalhadores só tem o reconhecimento do acidente posteriormente, o que aponta para falhas na comunicação inicial e possíveis lacunas na responsabilização imediata dos casos.
Riscos na atividade e no deslocamento
Os acidentes típicos, aqueles diretamente ligados à atividade profissional, também cresceram de forma consistente, passando de 2.854 para 4.791 registros no período.
Já os acidentes de trajeto, ocorridos no caminho entre a residência e o trabalho e vice-versa, mais que triplicaram, saltando de 834 para 2.615 casos. O avanço reflete o aumento dos riscos no deslocamento urbano e amplia o impacto dos acidentes para além do ambiente interno das empresas.
Impacto global
Em escala global, o alerta também é contundente: estimativas recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que falhas na organização e gestão do trabalho — como jornadas prolongadas, insegurança e assédio — estão associadas a mais de 840 mil mortes por ano.
Além do impacto humano, esses fatores resultam na perda de milhões de anos de vida saudável e geram prejuízos econômicos equivalentes a cerca de 1,37% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

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