Água: caos na Baixada Santista, prevê especialista
Água: caos na Baixada Santista no final de ano, prevê espacialista Carlos Ratton

Água: caos na Baixada Santista no final de ano, prevê espacialista
Carlos Ratton
30/12/2025
Carlos Ratton
Foto: Tony Valentte/ Agência Pública/Agência Brasil
Mestre em Planejamento e Gestão do Território pela Universidade Federal do ABC (UFABC), graduado em Engenharia e História pela Universidade de São Paulo (USP) e atual Coordenador Administrativo e Financeiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), Amauri Pollachi, em entrevista exclusiva para Os Inconfidentes, garante que a falta de água na Baixada Santista será uma das maiores nos últimos tempos, gerando um verdadeiro caos nos nove municípios da região.
“O enorme fluxo de população flutuante trará às cidades uma situação de caos no abastecimento. Principalmente porque a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) se tornou um arremedo (cópia inferior) do que era antes da privatização. Por isso, recomendo que as pessoas economizem o máximo a água e, se possível, tragam galões para consumo imediato para matar a sede”, alerta Pollachi (foto).

Igual ao Natal
O especialista acredita que a Baixada Santista passará pelo mesmo problema ocorrido na Região Metropolitana de São Paulo durante o Natal, em que inúmeros bairros, principalmente da periferia da metrópole, sofreram com a falta de água, impedindo que famílias inteiras se reunissem em confraternização.
“Estamos com uma situação de menor pluviometria. Ou seja, a chuva está menor daquela que seria a média esperada para esse ano. Com isso, alguns sistemas, como o Jurubatuba, que atende a região do Guarujá, está com baixa capacidade de tratamento e abastecimento”, aponta.
Pollachi garante que no passado e antes da privatização, se conseguia fazer o abastecimento emergencial, o que não deve ocorrer atualmente porque não foram providenciadas ações preventivas com a devida antecedência.
Pesquisador na UFABC, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, especialista em saneamento e recursos Hídricos, além de ter exercido diversos cargos na Sabesp e na Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo e, ainda, ter sido presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp, Amauri Pollachi explica o que o Governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) praticamente desmontou uma estrutura que conseguia garantir o mínimo em momentos de pico.
Segundo revela, antes da privatização, quando estava próximo de se iniciar o verão, a Sabesp preparava toda uma logística para um atendimento completamente diferenciado para a Baixada. Trazia caminhões pipa de todas as cidades de onde a Sabesp operava. De Presidente Prudente, de Franca, de Lins, de São José dos Campos, da região metropolitana de São Paulo. “Ou seja, havia uma concentração de esforços para que se reduzisse a deficiência de abastecimento”, explica, revelando que isso é apenas um item do que foi desmontado com a privatização.
Equipe
O especialista afirma que, antes da privatização, havia todo um destacamento de equipes especializadas de manutenção sediadas na Região Metropolitana de São Paulo com um enorme conhecimento, por exemplo, de eletricidade para fazer um rápido reparo quando
Havia um plano de manutenção preventiva e equipamentos centrais, por exemplo, para evitar que uma estação de tratamento de água tivesse que paralisar para fazer alguma manutenção corretiva. E isso, segundo garante, foi desmontado com a privatização.
“Tínhamos uma equipe com pessoal especializado para fazer esse reparo no menor tempo possível, inclusive já com equipamentos ou peças sobressalentes disponibilizadas para socorrer com rapidez e eficiência. Se houvesse algum defeito em alguma bomba que traz água de um lugar para o outro, também havia mecânicos preparados para agir rapidamente. Então, não era só fazer um trabalho emergencial, mas um trabalho preventivo antes de se iniciar esse período onde há a maior população presente na Baixada”.
Demissões
Amauri Pollachi enfatiza que o Governo Tarcísio de Freitas, para garantir mais lucro a acionistas, resolveu cortar pela metade o número de trabalhadores da Sabesp, que foram incentivados a aderir programa de demissões voluntárias. “Mas ocorreram as (demissões) arbitrárias que foram feitas pela empresa que assumiu o comando da Sabesp, que tinha há dois anos 12 mil funcionários aproximadamente e, agora, nessa virada de ano, está com perto de seis mil”, afirma.
Ele argumenta que os que foram demitidos eram os com maior experiência, “porque a empresa hoje busca reduzir custos para aumentar a sua lucratividade. E com isso, ela reduz custos, mandando embora aquelas pessoas que tinham maior salário e com até 40 anos de experiência em saneamento para levar um abastecimento de água, com o foco de que a água não pode faltar”, completa.

Sistema despreparado
Pollachi segue com a opinião que o Governo de São Paulo se equivoca ao anunciar que o problema da falta de água é da população que estaria consumindo muito. Quando, na verdade, o problema é que ela (população) está consumindo aquilo que deveria consumir para uma temperatura elevada, como as do período mais seco.
“O que deveria ter é um sistema preparado para atender esses picos de consumo. Anteriormente, nesse período, a distribuição de água na Região Metropolitana de São Paulo tinha capacidade de aumentar a produção das estações de tratamento em torno de 10% a 15%. E isso permitia direcionar água para as regiões periféricas. Porque, normalmente, nas áreas centrais das cidades existe muita reservação nos edifícios. Então, você conseguia dar uma sustentação melhor nessas áreas mais verticalizadas e direcionar o fluxo de água o máximo possível nas periferias. Creio que essas regras não estão sendo obedecidas hoje pela Sabesp”.
Vale lembrar
As promessas pré-privatização da Sabesp por Tarcísio de Freitas foram muitas. As duas principais: diminuição do valor das tarifas e melhor distribuição de água e coleta de esgoto, principalmente nas periferias do Estado, onde existe comunidades inteiras em vulnerabilidade social.

No pós-privatização, o resultado está sendo outro. A conta de água terá um aumento de 6,11% a partir de janeiro de 2026, sendo o primeiro reajuste após a privatização com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), e o aumento do sofrimento nas comunidades, principalmente na Região Metropolitana da Baixada Santista, conforme já publicou Os Inconfidentes.
Agora, um velho ingrediente entra também na conta do governador ‘privatista’. A emissão de um alerta pedindo “redução imediata do consumo de água” em todo o estado, diante da combinação de onda de calor extrema e estiagem prolongada que vem pressionando os sistemas de abastecimento.
O aviso foi acompanhado de recomendações práticas à população, como banhos rápidos, combate a desperdícios e suspensão do uso de água para fins não essenciais — como encher piscinas e lavar calçadas e carros. Acredita-se que este deva ser primeiro episódio com risco de crise hídrica enfrentado por São Paulo após a privatização, concluída em 23 de julho de 2024. Nomeio do caos que se avizinha, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entra em férias e viajou com a família aos Estados Unidos. O vice-governador Felício Ramuth (PSD) assumiu o comando do Palácio dos Bandeirantes até 11 de janeiro, e deve segurar ‘o rojão’, o suposto desgaste político.
Sabesp
A Sabesp esclarece que o abastecimento de água na Baixada Santista segue em plena operação. Podem ocorrer, em alguns momentos, intermitências pontuais em decorrência de um cenário atípico de poucas chuvas, temperaturas elevadas e aumento expressivo do consumo, que pressiona os sistemas e pode gerar oscilações no fornecimento.
Diante desse contexto e da maior demanda típica do período de verão, a Companhia atua com monitoramento permanente, manobras operacionais e reforço na produção e distribuição, priorizando serviços essenciais e as áreas mais sensíveis.
Para aumentar a resiliência da operação na temporada, a Sabesp reforça a estrutura de atendimento com mais equipes, caminhões-pipa, geradores estratégicos e bombas de apoio para resposta rápida em ocorrências, incluindo eventuais impactos por interrupções de energia. Nos endereços em que for registrada anormalidade na distribuição, o atendimento emergencial com caminhão-pipa é disponibilizado.
A Sabesp destaca que imóveis com reservação adequada (caixa-d’água) tendem a sentir menos os efeitos das oscilações. Como medida adicional de proteção, a Companhia mantém a doação e instalação de caixas-d’água para moradores de baixa renda/em situação de vulnerabilidade em áreas críticas, mediante solicitação e prévia avaliação pelos canais oficiais.
Sobre alegações de “desmonte” da capacidade operacional e de manutenção preventiva, a Sabesp reforça que opera com gestão ativa do sistema, resposta 24/7 e ações estruturais de eficiência e segurança hídrica, incluindo iniciativas corporativas de redução de perdas — com renovação de redes, instalação de válvulas de controle de pressão e escaneamento para prevenção de vazamentos — para preservar água tratada dentro do sistema e aumentar a robustez operacional.
Além das ações operacionais de curto prazo, a Sabesp mantém um plano robusto de obras e modernização na região: a Companhia anunciou investimento de R$ 7,5 bilhões na Baixada Santista até 2029 para ampliação e reforço dos sistemas de água e esgoto nos nove municípios.
Quanto a tarifas, a Sabesp reforça que reajustes seguem regras regulatórias. O modelo contratual prevê mecanismos de mitigação, como o FAUSP, criado para controlar aumentos nos anos seguintes, e fatores que podem ter impacto neutro ou negativo no reajuste, associados às metas de universalização. Isso permitiu, por exemplo, que o reajuste aprovado para o exercício de 2026 fosse meramente inflacionário.
A Sabesp reforça, por fim, a importância do uso consciente da água neste período, evitando desperdícios e priorizando usos essenciais.
Canais de atendimento (registro de ocorrência, pedido de vistoria, caminhão-pipa e solicitação de caixa-d’água – quando elegível): WhatsApp: (11) 3388-8000 | 0800 055 0195 | Agência Virtual | App Sabesp Mobile | Chat.

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