Água não é mercadoria: a tragédia anunciada da privatização

Por Alexandre Miguel de Souza

Água não é mercadoria: a tragédia anunciada da privatização

Por Alexandre Miguel de Souza

12.03.2026

O rompimento de um reservatório da Sabesp em Mairiporã, ocorrido nesta quarta-feira (11), que deixou uma pessoa morta e sete feridas, é mais do que um acidente. É um alerta brutal sobre os riscos de tratar um serviço essencial como se fosse apenas mais um negócio.

Água é um direito fundamental, não uma mercadoria. Quando empresas públicas estratégicas são entregues à lógica do lucro, o que costuma vir primeiro não é a melhoria do serviço, mas a redução de custos, a precarização da manutenção e o enfraquecimento do controle público. O resultado, muitas vezes, aparece na forma de tragédias como essa.

E, como quase sempre acontece no Brasil, quem mais sofre com essas situações são os mais pobres e os moradores das periferias. São justamente aqueles que mais dependem de serviços públicos de qualidade e que acabam pagando a conta do abandono do Estado. A política de desmonte e abandono conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas acaba penalizando exatamente quem mais precisa de proteção e investimento público.

Ainda assim, o governador segue repetindo o mantra de que “é só privatizar que melhora”. A realidade, porém, insiste em desmentir esse discurso simplista. Experiências de privatização no setor de saneamento em diversos lugares do mundo já mostraram aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço e menos transparência.

O mais absurdo é que, mesmo diante de tantos problemas, contradições e consequências concretas de suas políticas, o governador continua liderando as pesquisas de intenção de voto. Isso revela o tamanho do desafio político e comunicacional que existe no Brasil: muitas vezes, a narrativa ideológica pesa mais do que os fatos.

Defender a água como bem público é defender a vida, a segurança e o direito da população a um serviço essencial prestado com responsabilidade e controle social. Tragédias como a de Mairiporã não podem ser naturalizadas nem esquecidas.

A pergunta que fica é: quantos alertas ainda serão ignorados em nome da privatização?

Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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