Aldeia celebra Ano Novo Guarani neste feriadão
A abertura será na sexta-feira (4), quando acontece canto e danças na Rio Silveira, em Boracéia, em Bertioga, divisa com São Sebastião (SP)

Carlos Ratton
31.08.2026
Fotos: Tony Valentte
De sexta a terça-feira (8), mais de 900 indígenas de núcleos comunitários da Aldeia Rio Silveira, localizada na Praia de Boracéia (22 quilômetros ao norte do conhecido Condomínio Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP), realizam o Festival da Cultura e a comemoração do Ano Novo Guarani (o Arapyau), tradicional indígena e aberto a quem deseja conferir a importância e a sabedoria do povo originário.
O Arapyau é uma forma de renovar a vida. Uma tradição sagrada e milenar. Um novo ciclo do ano, assim como uma nova estação. É quando a natureza, os animais e os humanos se renovam. Os guaranis purificam a mente e renovam as plantações e outras produções. É um momento de consagração.
O líder espiritual guarani Adolfo Wera Mirim, em entrevista aos Inconfidentes, no último domingo, completa: Estamos há um mês tratando, organizando, fazendo limpeza, tudo, divulgação, solicitação de apoio dos apoiadores para que a festa seja bem-vinda também, dos amigos, colaboradores na parte da doação, alimento, tudo que pode ajudar aqui, os parceiros, amigos, convidados, todo mundo”.
O líder confirma que o Ano Novo Guarani vem há muitos anos comemorado, celebrado a renovação dos espíritos, da alma, a retirada das impurezas do corpo e fazendo a cura espiritual para quem dela participa.
“Traz nova alegria, nova transformação, curas. Esse é o momento de confraternizar, porque época de primavera é muito importante para nos renovar. Época de plantar, época de colher. Então, hoje queremos que ano que vem seja outra época de melhoria, trazer coisas melhores, saúde, alegria, felicidade. A intenção também é de fortalecer essa cultura milenar Guarani, para as crianças poderem conhecer a atividade, cura, rezo o canto”.
Adolfo Wera Mirim lembra que entre os guaranis não existe divisão. “Estamos tentando trazer outros parentes de outra comunidade. Nesse momento é de confraternizar alguns parentes que vêm de outra região, pode ser de outra etnia. Pode vir não-indígena também. Convidamos os amigos, as amigas, para todo mundo vir aqui confraternizar porque é importante conhecer as culturas indígenas, para que fortaleça o respeito às diferenças”, finaliza.

O líder espiritual Adolfo Wera Mirim
Além de uma atividade cultural completamente diferente, quem for conferir têm a oportunidade de ajudar a comunidade indígena de famílias nativas de etnia Guarani- Mbya e Nhandeva. Os participantes todos os dias, a oportunidade de saborear a comida tradicional e adquirir o artesanato.
A abertura será na sexta-feira (4) de manhã, por volta das 9 horas, quando acontece canto e danças. No dia seguinte (sábado), quem participar percorrer a trilha até a cachoeira, recebendo informações importantes sobre a natureza. Outras atividades estão previstas, como rodas de conversa.
Domingo (6), os indígenas irão proporcionar a pintura corporal e facial e apreciar apresentações de arco e flecha. Na segunda-feira, entre as atividades estão a apresentação da medicina tradicional guarani e curas. Por fim, na terça (8), ocorre o encerramento.
Ano
É importante destacar que, ao longo do ano, a Aldeia Rio Silveira possui um roteiro agendado e por intermédio de um guia indígena. Os visitantes conhecem a biodiversidade da reserva, a cultura e alimentação típica. A comunidade vive dentro das suas ocas ou casas, feitas com madeira de “palmeira-pati” e algumas de alvenaria.
Os visitantes percorrem uma trilha de dois quilômetros e conhece um dos rios da bacia do Rio Silveira, um dos locais de natureza mais preservados de São Sebastião, que íntegra a exuberante Mata Atlântica.
O local está inserido em um trecho preservado da Mata Atlântica, com formações vegetais riquíssimas, classificadas como Floresta de Restinga e Floresta Ombrófila Densa.
Para marcar visitas fora do evento é preciso agendar com Adolfo Wera pelo (11) 94231-7570. A taxa de inscrição para o passeio e a alimentação é R$ 200,00 por pessoa. Artesanatos também podem ser comprados de forma online, no Instagram, na @mari.paramirim, fazer um pix para a artesã e receber a encomenda pelos correios.

Demarcação
A aldeia foi demarcada por decreto. Desde 2010, existe um processo de expansão de suas terras, à pedido da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), dos atuais 944 hectares para 8,5 mil.
Em 2005, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) construiu as casas de alvenaria, porém o abastecimento de água fica restrito ás casas próximas da estrada.
Em 2013, uma parceria firmada por FUNAI, CDHU e Prefeitura de Bertioga chegou a prever um investimento total de nove milhões de reais na construção de moradias com água encanada, luz elétrica e rede de esgoto na aldeia.

Comentários dos leitores
Carregando comentários…