Alesp convoca presidente da Artesp para explicar suspensão do VLT em Santos
Pedido do deputado estadual Luiz Fernando (PT) teve como base reportagem dos Inconfidentes que revelou a interrupção de quase 40 horas desse serviço, em maio deste ano, por causa dos 10 KM Tribuna FM-Terracom

Sandro Thadeu
29.10.2026
Imagens: Bruna Sampaio/Alesp e Carol Jacob/Alesp
A Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa (Alesp) aprovou, na última terça-feira (27), o convite para que o diretor-presidente da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), André Isper Rodrigues Barnabé, preste esclarecimentos sobre a paralisação por cerca de 40 horas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no trecho Conselheiro Nébias-Valongo, em Santos, ocorrida em maio deste ano. A data da reunião ainda será definida.
O requerimento é de autoria do deputado estadual Luiz Fernando (PT) e teve como base uma reportagem exclusiva dos Inconfidentes, publicada em 17 de maio, que revelou a interrupção do serviço em razão da realização da corrida de rua 10 KM Tribuna-FM Terracom, no dia 17 de maio.
O serviço foi suspenso menos de uma semana após o VLT começar a operar em horário integral nesse trecho com 12 estações distribuídas ao longo de oito quilômetros de percurso. O VLT não circulou entre o meio-dia de sábado (16) e 5h30 de segunda-feira (18).

Deputado estadual Luiz Fernando (PT)
Algo fora do lugar
Ao justificar o pedido aos demais integrantes da Casa de Leis, o parlamentar petista questionou a decisão de interromper completamente a operação de um meio de transporte para a realização de uma corrida de rua privada.
“A suspensão total do serviço por dois dias inteiros para a realização de um evento privado gera estranheza, sobretudo em razão de trabalhadores que dependem do transporte público aos finais de semana”, destacou.
A prova reuniu cerca de 25 mil participantes e foi promovida pelo Grupo Tribuna, um dos mais tradicionais grupos de comunicação da Baixada Santista. A Terracom, empresa de engenharia com forte atuação nos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos na região, foi a patrocinadora principal.
As inscrições custavam R$ 149,00, além de uma taxa adicional de 8% cobrada pela plataforma de vendas.
Prioridades em discussão
A realização da corrida mobiliza uma ampla operação da Prefeitura de Santos, com alterações no transporte público e interdições viárias em vários bairros, travando a cidade por algumas horas e gerando reclamações de parte da população.
A suspensão do VLT, responsável pelo modal, por quase dois dias ocorreu em um momento significativo. Afinal, a Administração Municipal apresentou a ampliação desse transporte sobre trilhos como uma das iniciativas estruturantes para melhorar a mobilidade urbana e estimular a circulação de pessoas na região central da cidade.
Nesse contexto, a interrupção de um trecho recém-ampliado levantou questionamentos sobre a compatibilidade entre a organização de grandes eventos privado e a manutenção dos serviços essenciais. A questão central é até que ponto a operação do transporte coletivo pode ser sacrificada para viabilizar uma atividade privada.
Durante a audiência com o diretor-presidente da Artesp, os deputados estaduais terão a chance de questioná-los sobre os critérios técnicos e operacionais fundamentaram a decisão de suspender o VLT e como situações semelhantes devem ser avaliadas no futuro, de modo a conciliar a realização de eventos com o direito de deslocamento da população.

O VLT é uma das apostas da Prefeitura de Santos para alavancar a região central

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