Amazônia: discurso e prática dos governos federal e do Pará se contradizem e destruição prossegue

Amazônia: discurso e prática dos governos federal e do Pará se contradizem e destruição prossegue

Por Vanessa Guarani Ratton

22.06.2026

Foto: Portal Gov.Br

O Pedral do Lourenço é uma vasta formação rochosa de cerca de 43 km no leito do Rio Tocantins, entre os municípios de Marabá e Itupiranga (PA). Ele é o principal gargalo da Hidrovia Araguaia-Tocantins, impedindo a navegação segura de grandes embarcações durante o período de estiagem

Para permitir a navegação ao longo de todo o ano e melhorar o escoamento de cargas (minérios, grãos e insumos) entre o Centro-Oeste e o Norte brasileiro, o Governo Federal conduz o projeto de "derrocamento".

Remoção de rochas subaquáticas, em grande parte por meio de detonações com explosivos, para criar um canal de navegação profundo e desimpedido.

As obras e licenças ambientais foram dadas pelo Ibama e avançaram, com as detonações e explosões focadas para o cronograma de 2027, aguardando o cumprimento integral das condicionantes e respeitando o período de defeso da região.

Estamos falando de explosões diárias que aconteceram durante três anos com dinamites. E poucos estão mobilizados para tentar reverter isso.

Grupos locais e defensores ambientais alertam sobre os impactos que o uso de explosivos e a mudança na dinâmica do rio podem causar ao sustento e ao modo de vida dos pescadores tradicionais e comunidades indígenas.

Além disso, essas formações rochosas servem como hábitat natural e área de desova para diversas espécies de peixes. Então, é como se estivéssemos condenando a morte e a extinção de várias espécies. E parece que isso é normal.

O governo do Pará e o governo federal não podem continuar de um lado fazendo discurso de outro realizando ações práticas, que destroem a Amazônia.

Por enquanto, a jornalista Mary Tapiassu é a única que vem denunciando isso de maneira continua. Nós precisamos discutir essa questão a tempo de evitar mais um crime ambiental que terá consequências que depois dirão ser culpa das mudanças climáticas.

Vanessa Ratton é jornalista, psicopedagoga, especializada em Justiça Restaurativa, Educação Inclusiva e Gestão Escolar. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

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