Amelinha Teles: A despedida do corpo, a eternidade da luta

Amelinha Teles: A despedida do corpo, a eternidade da luta

Por Odair Dias Filho

16.09.2026

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Há nomes que a historiografia burguesa tenta confinar às gavetas do passado, mas que a práxis social insiste em converter em chama permanente. Este 15 de setembro, data instituída pela ONU como o Dia Internacional da Democracia, reveste-se de uma simbologia tão dolorosa quanto grandiosa: é precisamente neste dia que nos despedimos fisicamente de Maria Amélia de Almeida Teles, a nossa Amelinha. Sua travessia física ocorre no exato dia consagrado ao objetivo pelo qual ela combateu, resistiu e entregou a própria vida.

Sua partida não nos deixa apenas a dor do luto; entrega-nos uma trincheira. Forjada na têmpera do materialismo histórico e na militância socialista, Amelinha compreendeu precocemente que a verdadeira democracia não é uma abstração jurídica burguesa e que o regime civil-militar de 1964 não constituiu um mero desvio institucional, mas a expressão violenta do capital sob a tutela do imperialismo para estrangular as forças populares.

Ao encarar a barbárie estatal nos porões do DOI-CODI, sob o comando do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ela fez do próprio corpo — agredido, mas jamais vergado — um tribunal inconciliável. A busca implacável por memória, verdade e justiça nunca foi, para ela, um exercício de nostalgia ressentida, mas a afirmação da memória como ferramenta de luta e denúncia da estrutura de classe.

Seu feminismo jamais aceitou os limites estreitos da cooptação liberal. Amelinha praticou e teorizou um feminismo autenticamente revolucionário, calcado na certeza de que a libertação da mulher é indissociável da destruição do patriarcado e da superação do modo de produção capitalista.

Ao idealizar e impulsionar a formação das Promotoras Legais Populares nas periferias, não oferecia um mero assistencialismo jurídico; instrumentalizava as mulheres trabalhadoras com consciência crítica, transformando o saber sobre os direitos humanos em alavanca de organização popular e emancipação humana.

No atual momento histórico, em que a extrema-direita recrudesce, o neofascismo tenta normalizar o horror e os projetos de submissão colonial ao imperialismo ameaçam a soberania dos povos do Sul Global, a práxis de Amelinha Teles emerge como imperativo inegociável. Ela nos ensina que a democracia — essa mesma cuja bandeira ela empunhou até o último suspiro e que o mundo hoje rememora — não se consolida com conciliação de classes ou anistia aos algozes, mas com o combate sem tréguas às estruturas de dominação.

Amelinha não repousará no silêncio, porque sua memória é insurgência. Ela permanece viva na espinha ereta da classe trabalhadora, no punho erguido das mulheres em luta e na caminhada ininterrupta rumo à revolução socialista. Amelinha Teles presente, hoje e sempre!

Odair Dias Filho é professor universitário, assistente social, pesquisador e poeta.

 

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