Após privatização, Sabesp acumula mais de R$ 200 milhões em multas aplicadas pela Arsesp​

Após privatização, Sabesp acumula mais de R$ 200 milhões em multas aplicadas pela Arsesp 07/01/2026

Após privatização, Sabesp acumula mais de R$ 200 milhões em multas aplicadas pela Arsesp​

Após privatização, Sabesp acumula mais de R$ 200 milhões em multas aplicadas pela Arsesp

07/01/2026

Sandro Thadeu

Imagem: Divulgação/Cesan

Desde a semana do Natal, moradores da Baixada Santista convivem com torneiras secas e incertezas. A irregularidade no abastecimento de água expõe as primeiras fragilidades da Sabesp privatizada. Enquanto a população improvisa, dados levantados pela Reportagem revelam um descompasso: as punições aplicadas à companhia parecem ter impacto limitado diante de seu lucro bilionário.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) confirmou a aplicação de 13 multas à Sabesp entre julho de 2024 (quando o Grupo Equatorial assumiu o controle da empresa) e dezembro do ano passado.

As penalidades somam pouco mais de R$ 200 milhões. Embora o valor pareça alto, ele representa apenas 2% do lucro líquido de R$ 9,6 bilhões registrado pela companhia em 2024. O dado acende o alerta: seriam as multas apenas um "custo de operação" suportável para a empresa, sem força para garantir a qualidade do serviço?

A Arsesp já realizou 907 ações de campo e finaliza 20 laudos técnicos que podem gerar novas sanções. Segundo o órgão, as fiscalizações para monitorar a continuidade e a qualidade do fornecimento de água e dos demais serviços de saneamento foram intensificadas no final do ano passado. 

O novo contrato segue o modelo backward looking: a Sabesp só recebe investimentos após comprovar melhoria real nos indicadores de desempenho e execução de obras.

A Arsesp explicou que mantém monitoramento em tempo real e plantões diários, analisando a situação de todos os municípios regulados. "Também foram realizadas fiscalizações em campo, que seguem em andamento, com a adoção das providências necessárias para a normalização dos sistemas", complementou.

Além da aplicação de penalidades financeiras, o órgão exige providências imediatas, a implementação de planos de ação e melhorias estruturais para garantir a adequada prestação dos serviços à população.

Crise no abastecimento e o risco para o Carnaval

A persistência da falta de água na Baixada Santista levou o debate para a esfera política, com foco na proximidade do feriado prolongado. A deputada estadual Solange Freitas (União), presidente da Frente Parlamentar de Acompanhamento da Sabesp Pós-Privatização, convocou uma audiência pública para o próximo dia 14, às 10h, na Câmara de São Vicente (Rua Jacob Emmerick, 1.195, Parque Bitaru).

A preocupação central é evitar um colapso no Carnaval. “É essencial que a população receba esclarecimentos sobre as causas e as ações previstas para evitar novos transtornos em um período de alta temporada”, afirmou a parlamentar.

Já a União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs), presidida por Cadu Barbosa (PRD), de Praia Grande, organiza um ato público para esta quinta-feira, dia 8, às 14h, na porta da sede da superintendência da Unidade de Negócio da empresa na Baixada Santista (Rua São Francisco, 128, Centro, Santos).

Retomada gradual

Imagem: Reprodução/Instagram/Sabesp

Assessor de Relações Institucionais da Sabesp, João Paulo Papa informou em um vídeo disponibilizado nas redes sociais que os sistemas em Cubatão, Santos, São Vicente, Guarujá, Bertioga e Litoral Norte já operam com produção plena de água.

No entanto, a normalização nas torneiras é gradual e depende do nível dos reservatórios. AO cenário mais crítico, segundo a empresa, concentra-se no Litoral Sul (Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe).

A companhia justifica a restrição devido à "alteração significativa na qualidade da água" dos rios Branco e Mambu, que abastecem a área. "Pedimos desculpas pelos transtornos e agradecemos a colaboração da população que tem compreendido a situação e economizado água", disse Papa, que foi prefeito de Santos entre 2005 e 2012.

Como registrar reclamações na Sabesp e Arsesp

Se você está sem água, siga este passo a passo para garantir seus direitos:

    1. Registre a reclamação na Sabesp pelo telefone 0800-055-0195 ou pelo WhatsApp (11) 3388-8000: guarde o número do protocolo.
    2. Acione a Arsesp: caso o problema não seja resolvido, envie e-mail para sau@arsesp.sp.gov.br ou ligue para 0800-771-6883 (segunda a sexta, das 8h às 20h).

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