Ato público relembra 42 anos da tragédia da Vila Socó nesta quarta em Cubatão
Carlos Ratton

Carlos Ratton
24.02.2026
Fotos: Afropress/Agência Brasil EBC
Nesta quarta-feira (25), a partir das 13h45, na Subseção de Cubatão (SP) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), será realizado um ato público em memória aos 42 anos da tragédia da Vila Socó, ocorrida em 1984 e considerada uma das maiores catástrofes socioambientais da história da cidade.
Ao mesmo tempo, Cubatão instituirá 25 de fevereiro como Dia Municipal da Memória, Verdade e Justiça para as Vítimas do Incêndio da Vila Socó. Projeto de Lei nesse sentido será apresentado na Câmara pelos vereadores Guilherme Malaquias e Marcio Silva Nascimento, do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
A proposta, que faz parte do Programa da Comissão da Verdade da OAB/Cubatão, foi protocolada pelo presidente, advogado André Simões Louro, em reunião articulada pelo presidente do PSB local, Rodrigo Ramos Soares, o Rodrigo Alemão, com os dois vereadores da legenda.
Os vereadores não apenas assumiram a proposta como orientaram suas respectivas assessorias a fazer a redação do projeto de Lei para ser apresentado após os eventos da agenda que marcarão este ano os 42 anos da tragédia.
“O evento organizado por nossa Comissão não é apenas um ato de luto, mas uma convocação para que as pessoas conheçam a verdade histórica e caminhe conosco pela preservação da memória e o Estado reconheça a real dimensão das vítimas e garanta a preservação desta memória operária e social”, afirma Louro
Os eventos da agenda deste ano que terão como tema “Vila Socó 42 anos – A Luta pela Memória, Verdade e Justiça”, contarão com palestras de especialistas, apresentações culturais e um ato interreligioso na sede da OAB/Cubatão, na Avenida Joaquim Miguel Couto.
“Vamos debater a responsabilidade corporativa, as falhas do Estado e dar voz aos que sobreviveram ao silêncio imposto por décadas. Tudo para reafirmar que jamais aceitaremos a impunidade. Cubatão não pode esquecer. A verdade não pode mais ser enterrada sob o entulho do esquecimento”, acrescentou.
A procuradora municipal e membro da Comissão por Memória, Verdade e Justiça da OAB Cubatão, Paula Ravanelli , afirma que “enquanto não houver reconhecimento, responsabilização e reparação coletiva, a Vila Socó continuará sendo uma ferida aberta na história de Cubatão”

O Incêndio
O incêndio da Vila Socó começou no dia 24 de fevereiro de 1884 e se estendeu por toda a madrugada e manhã do dia 25, matando um número estimado, entre 500 e 800 pessoas (dizem que foi bem mais), e deixando cerca de quatro mil feridos, segundo as investigações do Ministério Público Estadual, à época.
É o incêndio com o maior número de vítimas no Brasil, e em número de mortos se iguala ao incêndio do Gran Circus norte-americano, em Niterói, ocorrido em 1.961, que matou mais de 500 pessoas.
No caso da Vila Socó, porém, os dados oficiais dão conta de apenas 93 mortos e refletem as tentativas do Estado sob a ditadura militar de subnotificar o número de vítimas para abafar a verdadeira dimensão da tragédia e garantir a impunidade dos responsáveis.
A Comissão da Verdade da subseção da OABl de Cubatão foi criada há 12 anos para denunciar a “Operação Abafa” e é formada pelos advogados André Simões Louro, Dojival Vieira e Paula Ravanelli.
Segundo o advogado Dojival Vieira, Secretário geral da Comissão, o Dia da Memória às Vítimas da Vila Socó é uma homenagem justa, merecida e necessária para que as gerações futuras jamais esqueçam. “Nosso compromisso é com a preservação da Memória, Busca da Verdade e da Justiça”, finalizou.

Comentários dos leitores
Carregando comentários…