Áudio envolvendo Flávio Bolsonaro é uma verdadeira ‘bomba’ e gera desgaste bolsonarista

Os áudios causaram um verdadeiro desconforto e um Congresso esvaziado. Integrantes da extrema-direita classificaram os diálogos e áudios de Flávio como "péssimos" para a pré-campanha

Áudio envolvendo Flávio Bolsonaro é uma verdadeira ‘bomba’ e gera desgaste bolsonarista

Carlos Ratton/Agência Brasil

15.05.2026

Fotos: Senado Federal/Agência Brasil

A reportagem do site The Intercept Brasil que revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um aporte milionário para financiar um filme sobre a seu pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, condenado à pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa liderar organização criminosa que tentou um golpe de Estado, caiu como uma bomba no período pré-eleitoral e gerou repercussão em todo Brasil.

Vale lembrar que o ex-presidente cumpre prisão domiciliar de 90 dias (deve terminar em julho), autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), devido a um quadro de broncopneumonia bilateral. Ele cumpre a pena em sua mansão no condomínio Solar de Brasília, em Brasília, sob restrições como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de internet/redes sociais e visitas limitadas.

Os áudios causaram um verdadeiro desconforto e um Congresso esvaziado. Integrantes da extrema-direita classificaram os diálogos e áudios de Flávio como "péssimos" para a pré-campanha. Os bolsonaristas tentavam adaptar o discurso ante o dano causado. Há opiniões que o caso se tornou a ‘caixa preta’ do bolsonarismo. 

Vorcaro (foto abaixo) está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras. Conforme amplamente noticiado, trocas de mensagens e documentos obtidos pelo Intercept mostram Flávio cobrando Vorcaro pelos pagamentos de parcelas relacionadas ao pagamento da produção do filme. No entanto, há outras versões já veiculadas sobre a questão.

O valor mencionado na negociação seria de, aproximadamente, R$ 134 milhões, segundo o Intercept. O apoio do banqueiro viabilizaria a realização do filme, que estava sendo realizado no exterior, com atores e equipe estrangeiros. Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”. 

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio.

A matéria revela, com base em áudios e mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025. O suposto apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Investigação

Já foi veiculado que a Polícia Federal (PF) brasileira está investigando se recursos de Vorcaro foram desviados para financiar atividades de Eduardo Bolsonaro (foto abaixo) nos Estados Unidos, incluindo lobby para sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido repassados. A PF apura se parte dessa verba foi transferida para um fundo no Texas (Havengate Development Fund LP), controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, para custear sua vida nos EUA e ações de lobby

Flávio Bolsonaro alega que os recursos foram integralmente usados para o filme e negou que o dinheiro tenha ido para Eduardo. O deputado Lindbergh Farias (PT) relatou ter protocolado na PF uma "notícia de fato" contra os envolvidos por indícios de financiamento de ações contra o Brasil.

Frias

Produtor executivo do filme, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) já até emitiu nota oficial sobre o a situação complicada do senador Flávio Bolsonaro.  Segundo o documento, Flávio Bolsonaro não teria qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar o projeto. Frias que pode ser convocado pela Justiça, como já está sendo veiculado na Imprensa – afirma que não há dinheiro de Daniel Vorcaro no filme.

SP

Outra informação veiculada pela Agência Brasil dá conta que há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar Frias (foto abaixo) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos dois milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), a qual a produtora do filme faz parte.  

A produtora está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment. Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril.

Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

A denúncia apresentada por Tabata Amaral (foto abaixo) foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades atuando sob um comando único. Ela defende que isso poderia dificultar a rastreabilidade da execução da verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

Também intimados por Dino, Bia e Pollon entregaram ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado um milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustenta Pollon.

 

Comentários dos leitores

Carregando comentários…