Baixada Santista vive crise inédita de saneamento após privatização da Sabesp
Baixada Santista vive crise inédita de saneamento após privatização da Sabesp Por Tanivaldo Monteiro Dantas

Baixada Santista vive crise inédita de saneamento após privatização da Sabesp
Por Tanivaldo Monteiro Dantas
14.01.2025
A justificativa apresentada pela Sabesp, hoje controlada pela Equatorial, para explicar os sucessivos problemas no abastecimento de água e no tratamento de esgoto após a privatização, ocorrida em julho de 2024, não corresponde à realidade vivida pela população da Baixada Santista.
A empresa atribui as falhas a uma suposta “política de mercado”, ao aumento da demanda sazonal e a fatores climáticos. No entanto, é importante destacar que a influência climática sempre existiu — períodos de estiagem, chuvas intensas e aumento populacional em épocas de temporada nunca foram novidade.
A diferença é que, quando a Sabesp era uma empresa pública, essas variáveis eram tratadas com planejamento, investimentos preventivos e programas estruturantes coordenados pelo Estado.
O que se observa após a privatização é a redução da capacidade de resposta operacional, agravada por demissões, saídas voluntárias de trabalhadores experientes, falta de reposição qualificada e uma terceirização que não consegue atender à complexidade do sistema.
O resultado foi um cenário inédito em mais de 40 anos: bairros inteiros de Santos e de outros municípios da região ficaram sem abastecimento de água, mesmo com o principal reservatório da América Latina, o Santa Teresa, operando em níveis críticos.
Ao mesmo tempo, a população passou a conviver com reajustes tarifários significativos, sem que isso se traduza em melhoria dos serviços. Ou seja, o usuário paga mais e recebe menos, enfrentando interrupções no abastecimento, falhas no tratamento de esgoto e riscos à saúde pública.
Os impactos vão além do cotidiano das famílias. A crise afetou diretamente a economia regional. Durante o período de Natal e Ano-Novo, quando a população da Baixada Santista chega a quadruplicar com o turismo, muitos visitantes foram obrigados a interromper suas férias por falta de água e de condições básicas de infraestrutura, prejudicando o comércio, os empregos e a arrecadação municipal.
Essa não é uma discussão corporativa. É um problema social, ambiental e econômico, que exige posicionamento dos prefeitos, vereadores, deputados e dos órgãos reguladores. O saneamento é um serviço essencial e não pode ser tratado apenas sob a lógica do lucro. Sem gestão, investimento interno e responsabilidade social, o risco é comprometer, inclusive, as próprias metas de universalização previstas para 2029 e 2033.
Tanivaldo Monteiro Dantas é presidente do Sindicato dos Urbanitários da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (Sintius)

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