Bancários da Baixada Santista fazem paralisação nesta quinta-feira (20) em meio a impasse na campanha salarial

Após setor registrar um lucro de R$ 255 bilhões, em 2025, categoria cobra reajustes nos vencimentos e benefícios acima da inflação

Bancários da Baixada Santista fazem paralisação nesta quinta-feira (20) em meio a impasse na campanha salarial

Sandro Thadeu

19.08.2026

Imagem: Divulgação

Os bancários da Baixada Santista farão uma paralisação das atividades nas agências nesta quinta-feira (20), em razão do impasse do setor patronal em avançar nas negociações da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A decisão foi tomada pela categoria em assembleia realizada na noite da última segunda-feira (17), no Sindicato dos Bancários de Santos e Região.

A movimentação integra o movimento nacional da categoria em resposta ao impasse nas tratativas da campanha salarial unificada deste ano junto à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), iniciadas em 24 de junho. Até o momento, não foi apresentado um índice de reajuste para os vencimentos e benefícios dos trabalhadores. A data-base é 1º de setembro.

Diante da insatisfação e da mobilização dos empregados das instituições financeiras públicas e privadas do País, o setor patronal recuou da proposta de estabelecer reajustes por faixas salariais e de congelar o piso de ingresso para os novos bancários.

Para as entidades, a cobrança por avanços nas negociações é natural para um setor que mantém elevada rentabilidade. Segundo dados do Banco Central, o sistema bancário encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 1,2 trilhão e lucro de R$ 255 bilhões. O lucro por empregado chegou a R$ 438 mil, evidenciando a elevada produtividade e rentabilidade geradas pela categoria.

Ao mesmo tempo em que as instituições financeiras ampliaram seus resultados, o setor reduziu significativamente a estrutura física e o quadro de pessoal. Entre 2015 e 2025, foram fechados 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências. Por outro lado, no mesmo período, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, movimento associado à terceirização de serviços.

Diante desse cenário, os empregados defendem que parte dos ganhos obtidos pelo setor seja revertida para a categoria. Entre as principais reivindicações estão reajustes nos salários e benefícios, como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação e vale-refeição, com base na inflação acumulada nos últimos 12 meses, acrescida de aumento real de 5%.

Os sindicatos também pleiteiam a manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional) e dos demais direitos conquistados. Além disso, exigem o fim das metas e uma distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho a fim de preservar a privacidade do bancário.

“A paralisação já é vitoriosa. Agora dependemos da mobilização e participação de toda a categoria para manter nossos direitos, conquistar novos e reajuste acima da inflação”, ressaltou o presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Élcio Martins da Quinta. A próxima rodada de negociação entre as partes está agendada para a próxima segunda-feira (24).

 

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