Bispo de Santos pede voto consciente e orienta padres a evitar apoio a candidatos durante eleições 2026

Dom Joaquim Mol afirma que Igreja Católica não indicará nomes, mas defende participação política dos fiéis baseada na dignidade humana e no bem comum

Bispo de Santos pede voto consciente e orienta padres a evitar apoio a candidatos durante eleições 2026

Sandro Thadeu

07.09.2026

Imagem: Reprodução/Facebook/Diocese de Santos

Com a aproximação do primeiro turno das eleições de 2026, que ocorre no dia 4 de outubro, o bispo da Diocese de Santos, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, publicou nesta segunda-feira (7) uma carta pastoral destinada aos cidadãos da Baixada Santista. O documento, intitulado “A dignidade da pessoa humana e o bem comum”, aborda a responsabilidade cidadã, o combate à polarização e reforça a autonomia da consciência dos eleitores, além de estabelecer diretrizes rigorosas para a atuação do clero e para o uso dos espaços litúrgicos durante o período de campanha.

Para preservar a liberdade de consciência dos fiéis e evitar divisões internas nas comunidades, foram estabelecidas diretrizes objetivas para padres e diáconos, que terão de evitar manifestações, fotografias, vídeos ou publicações em redes sociais que possam ser interpretados como apoio a partidos ou candidatos.

As missas também não podem ser transformadas em espaços de campanha eleitoral. Embora os candidatos devam ser acolhidos como quaisquer outros fiéis, o documento veda tratamento privilegiado, promoção eleitoral e a participação destacada de agentes políticos em lugares de destaque ou a realização de leituras durante as celebrações.

Valores inegociáveis

A carta reforça que a Igreja Católica não substitui a consciência individual e não diz em quem o cidadão deve votar, mas cabe a ela recordar os valores inegociáveis do Evangelho de Jesus Cristo para que a participação dos leigos e leigas no processo eleitoral ocorra de forma ética, transformadora e verdadeiramente comprometida com a justiça social.

Para esse discernimento, o bispo recomenda o uso de critérios fundamentados na Doutrina Social da Igreja, como a dignidade da pessoa humana, a opção pelos pobres, a preservação do meio ambiente e a promoção da paz., além de aplicar esses princípios à realidade regional.

Dom Joaquim Mol cita na carta uma série de problemas da Baixada Santista que deveriam fazer parte do debate e estar no horizonte dos candidatos, como o deficit habitacional, saúde, educação, mobilidade, segurança pública, geração de trabalho e renda, preservação ambiental, assim como o combate à exploração infantil e à violência contra a mulher.

Responsabilidade dos cristãos

Ao tratar especificamente da responsabilidade individual diante do voto, o bispo recorre a uma passagem bíblica para propor uma reflexão aos eleitores: “Onde está o teu irmão?”.

A pergunta, segundo o documento, está relacionada à corresponsabilidade de cada pessoa pela vida do outro. Para ele, a participação política não deve ser compreendida apenas como uma escolha individual, mas também como uma decisão que produz consequências para a coletividade. “O voto não deveria ser simplesmente anulado, utilizado como moeda de troca ou reduzido a instrumento de protesto”, reforçou.

A carta termina com um pedido para que o período eleitoral seja vivido com liberdade, responsabilidade e paz, reforçando a disposição da Diocese de Santos de caminhar com diferentes setores da sociedade na busca pelo bem comum.

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