Câmara de Santos convoca secretária para explicar gastos de publicidade

Selley Storino terá de prestar esclarecimentos sobre possíveis pagamentos por postagens em redes sociais com críticas a adversários e elogios a aliados da Administração Municipal

Câmara de Santos convoca secretária para explicar gastos de publicidade

Sandro Thadeu

23.09.2026

Imagem: Reprodução/YouTube

A secretária de Comunicação e Economia Criativa de Santos, Selley Storino, terá de comparecer à Câmara Municipal para prestar esclarecimentos sobre a gestão dos contratos de publicidade da Prefeitura, especialmente em relação aos recursos destinados a páginas e perfis nas redes sociais.

O convite foi aprovado pelos vereadores na última terça-feira (22) e atende a requerimento apresentado pelo líder da Oposição, Rui De Rosis Jr. (PL). A data da conversa com os integrantes da Casa de Leis ainda não foi definida. Ela terá 15 dias úteis para comparecer ao Legislativo, após ser notificada.

O parlamentar questiona a utilização de dinheiro público para financiar publicações que, segundo ele, teriam conteúdo político, com promoção de integrantes da Administração Municipal e ataques a adversários. A pasta nega as acusações

A aprovação do convite ocorre três semanas depois de De Rosis Jr. apresentar os primeiros questionamentos sobre o assunto. Em reportagem publicada em 11 de setembro, Os Inconfidentes mostraram que o parlamentar havia analisado 19 processos administrativos referentes a pagamentos de publicidade realizados entre dezembro de 2024 e outubro de 2025.

Os documentos reuniam 32 notas fiscais, que totalizavam R$ 133 mil. Desse montante, R$ 106,4 mil foram destinados a cinco microempreendedores individuais (MEIs) responsáveis por perfis nas redes sociais. Quatro deles, ainda de acordo com a análise apresentada pelo vereador, tinham sede em São Vicente e mantinham páginas voltadas ao público daquele município.

Questionamentos sobre publicidade oficial

O principal questionamento do líder da Oposição está relacionado ao conteúdo utilizado como comprovação da veiculação dos anúncios. Na avaliação do vereador, algumas publicações apresentadas nos processos administrativos extrapolariam o caráter institucional esperado da publicidade oficial.

Entre os exemplos citados por ele estão conteúdos sobre pesquisas de popularidade do prefeito Rogério Santos (Republicanos), publicações de enaltecimento ao deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD) e críticas a adversários políticos, incluindo o colega de plenário e de partido Allison Sales.

"Temos páginas divulgando que o prefeito cresce nas pesquisas, que a população aprova o seu mandato e que o secretário de Cultura ‘não sabe brincar’ por ter contratado (o show do) Thiaguinho. Isso não pode ser pago com recurso público. É ilegal, é inconstitucional e é improbidade administrativa na veia", afirmou De Rosis Jr.

Ataque ao Legislativo

Durante a discussão sobre o convite para Selley, Salles cobrou providências do prefeito Rogério Santos (Republicanos) e pediu a exoneração da secretária por entender que o Legislativo foi desrespeitado como um todo.

"Espero que vocês não sejam atacados, como eu. Se isso ocorrer, serei o primeiro a defendê-los, como já faço hoje nas ruas de Santos quando a Câmara é atacada", destacou.

O vereador Marcos Caseiro (PT) também defendeu a necessidade de esclarecimentos. Embora tenha ressaltado que a presunção de inocência deve ser respeitada, o petista afirmou estar incomodado com a falta de respostas após os questionamentos apresentados pelo líder da Oposição.

"Estamos dando a oportunidade única para a secretária vir até esta casa. Quem não deve, não teme. A gente precisa ter explicações", frisou.

Denúncia no Ministério Público

Além da cobrança no Legislativo, De Rosis Jr. já protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MPSP) para solicitar a apuração dos pagamentos. A denúncia foi aceita pelo promotor de Justiça Rogério da Luz e anexada a um procedimento anterior que investiga o possível monitoramento de redes sociais de opositores.

Esse caso foi abordado em uma reportagem publicada em abril pelos Inconfidentes. Na ocasião, foram divulgadas três propostas comerciais que ofereciam, entre outros serviços, monitoramento de opositores, análise de sentimentos e estratégias para elevar a imagem pública do prefeito.

A Administração Municipal negou, à época, que o serviço tivesse sido contratado. Segundo a Prefeitura, o monitoramento de redes sociais de agentes políticos constava de uma proposta comercial, mas não fazia parte de nenhum contrato da Secretaria de Comunicação e Economia Criativa.

Prefeitura nega irregularidades

A Secretaria de Comunicação e Economia Criativa negou que tenha ocorrido desvio de finalidade nos contratos de publicidade.

Em resposta aos questionamentos apresentados anteriormente, a pasta informou que todas as publicações patrocinadas possuem caráter estritamente institucional e têm como objetivo ampliar a divulgação de serviços, obras e outras informações de interesse público para os moradores da Cidade.

A secretaria também explicou que os pagamentos dependem da prestação de contas dos veículos contratados, mediante a apresentação de relatórios detalhados das publicações realizadas.

 

 

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