Capitania fará cursos para praticantes de Canoas Havaianas em novembro

Iniciativa ocorreu por conta das denúncias de Os Inconfidentes, encampadas pela AGUAVIVA

Capitania fará cursos para praticantes de Canoas Havaianas em novembro

Carlos Ratton

19.10.2026

Fotos: Reprodução/Tony Valentte

As denúncias sobre os riscos diários que praticantes de canoas havaianas se submetem ao atravessarem o Canal do Porto do Estado de São Paulo acabou aproximando a Capitania dos Portos dos praticantes. A informação exclusiva é do presidente da Associação Guarujá Viva (AGUAVIVA), José Manoel Ferreira Gonçalves. Ele se aproximou da autoridade marítima a partir das reportagens de Os Inconfidentes mostrando a falta de controle e fiscalização no meio do maior porto da América Latina.

O representante da AGUAVIVA informa que recebeu uma mensagem de um representante da Capitania garantindo que as reportagens e a denúncia acabaram gerando uma série de projetos, inclusive um curso que será ministrado na Capitania em novembro sobre segurança da navegação, previsão meteorológica, preparação para o mar, primeiros socorros, entre outros assuntos.

Em tempo

A iniciativa da Capitania dos Portos se faz necessária. Lembrando que em maio deste ano, um vídeo mostrou com clareza a falta de atenção para com a mudança do tempo – mar agitado, ventos fortes e ondas que podiam ultrapassar três metros - com a segurança dos praticantes, principalmente, a falta de fiscalização. A publicação mostrou que canoístas quase perderam a vida no mar porque não deram atenção à mudança climática. 

Imagem mostra o momento de sufoco de canoístas ocorrido em maio    

Em uma das várias reportagens, Os Inconfidentes informaram que, à época, a ÁGUAVIVA havia encaminhado manifestação formal ao Ministério Público Federal (MPF) solicitando a apuração de possíveis irregularidades na exploração comercial de canoas havaianas na região da Ponta da Praia, em Santos (SP), e no Canal do Estuário.

A iniciativa da entidade decorreu de duas reportagens que trouxeram à tona indícios de possível desvio de finalidade, ausência de segurança na navegação e uso indevido de espaço público em atividades realizadas em área de intenso tráfego marítimo.

Segundo revelado na ocasião, dezenas de embarcações permaneciam estacionadas em área pública e estariam realizando passeios turísticos remunerados, com cobrança de valores de até R$ 80,00 por pessoa, inclusive com travessias do canal do estuário, principal via de navegação do maior porto da América Latina. As embarcações permanecem até hoje nas calçadas da Ponta da Praia.

Houve relatos de passeios realizados com canoas alinhadas e presas entre si, transportando cerca de 20 pessoas, inclusive crianças. Diante da relevância dos fatos noticiados, a ÁGUAVIVA levou o conteúdo ao conhecimento do MPF, requerendo que a manifestação fosse recebida como notícia de fato, com a adoção das providências cabíveis, inclusive a requisição de informações à Capitania dos Portos de São Paulo, à Marinha do Brasil e aos demais órgãos federais competentes, acerca da regularidade das atividades e da fiscalização existente.

Canoas ocupando calçadas públicas na Ponta da Praia

Diminui, mas não resolve

Os cursos que serão oferecidos pela Capitania dos Portos vão conscientizar os praticantes sobre segurança, mas não mudam a negligência das prefeituras de Santos e Guarujá e da Autoridade Portuária de Santos (APS) que, apesar de alertadas, não conseguem sequer regulamentar, em terra e em mar, o estacionamento e o tráfego de uma simples canoa havaiana. Ver https://osinconfidentes.com.br/por-mar-ou-por-terra-canoas-havaianas-seguem-sem-regras-e-fiscalizacao/.

Antes, a APS, uma empresa pública vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos, já havia dito que a autorização e fiscalização das atividades de canoa havaiana não são de sua responsabilidade, mas sim, da Capitania dos Portos. Agora, a Capitania resolveu agir dentro de sua competência, mas ainda falta muito a ser feito.

 

Comentários dos leitores

Carregando comentários…