Caso encerrado: Detetive Zelão sai de fininho por ordem do prefeito de Santos
23.03.2026

23.03.2026
Sandro Thadeu
Fotos: Reprodução/Instagram e Divulgação/PMS/Francisco Arrais
O personagem “Detetive Zelão”, criado pela Prefeitura de Santos para tratar de zeladoria nas redes sociais, teve vida mais curta do que vídeo nas redes sociais. Após virar alvo de críticas e ironias entre os vereadores e parte da população, a iniciativa foi suspensa por determinação do chefe do Executivo municipal, Rogério Santos (Republicanos).
A decisão veio depois de uma reação de alguns parlamentares de oposição e até da base governista, que não pouparam críticas ao personagem, classificado como “teatro”, “palhaçada” e até “vergonha” durante a sessão legislativa do dia 10 de março.
Nos bastidores do Palácio José Bonifácio, a avaliação é de que o episódio foi mais um ruído político desnecessário criado dentro do próprio governo. Fontes palacianas consultadas pelos Inconfidentes afirmam que a ideia partiu da Secretaria de Prefeituras Regionais, comandada pelo jornalista Rivaldo Santos, sem maior alinhamento prévio.
A proposta até tinha uma justificativa interessante: usar linguagem simples e um personagem popular para explicar à população problemas recorrentes de zeladoria, como o crescimento do mato em períodos de chuva e a dinâmica dos serviços urbanos. Porém, a repercussão da ideia não surtiu o efeito esperado.
A escolha de um “detetive” como personagem caiu como provocação no Legislativo. Vereadores interpretaram a iniciativa como uma tentativa de invadir um terreno que consideram próprio: o de fiscalizar e apontar falhas da Administração Municipal.
Diante da repercussão negativa, o prefeito decidiu agir rápido para evitar que o episódio ganhasse proporções maiores. Por esse motivo, o detetive Zelão saiu de circulação antes mesmo de ganhar tração.
Dilemas da Comunicação
Na avaliação de uma das fontes consultados pela Reportagem, o episódio escancara um dilema cada vez mais presente nas administrações públicas: até onde vai a comunicação institucional e onde começa o território político.
.Ela entende que, em Santos, esse limite tem se tornado mais difuso após uma decisão estratégica de ampliar a autonomia das secretarias na produção de conteúdo. Atualmente, é comum que secretários estejam acompanhados por assessores em agendas e entrevistas, com o objetivo de alimentar as redes sociais em tempo real.
“Isso deu mais visibilidade para as ações, mas também tirou um pouco da coordenação central da comunicação. Há um descompasso entre estratégia digital e articulação política. O Detetive Zelão foi alvo desse curto-circuito”, explicou.
Outro importante conhecedor dos corredores do Palácio José Bonifácio confidenciou que o recuo acertado do prefeito foi acertado, mas expõe uma falha de sintonia interna.
"Em um governo pressionado por demandas básicas de zeladoria, a criação de um personagem para explicar problemas acabou soando, para os vereadores e para muitos santistas que exigem uma cidade bem-cuidada, como uma tentativa de maquiar a realidade, ou, no mínimo, de disputar narrativa", justificou.
Queda de braço constante
Programa Viva o Bairro foi relançado em abril do ano passado e desagradou alguns vereadores
À época, a iniciativa foi interpretada por parte dos integrantes da Câmara como uma tentativa de esvaziar o papel do Legislativo na intermediação das demandas da população, especialmente nas questões de zeladoria.
O histórico recente ajuda a explicar por que o “Detetive Zelão” virou problema tão rapidamente. Em um ambiente já sensível, bastou um personagem fora do tom para reacender a desconfiança — e acelerar a sua saída de cena.

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