Caso Rafael: jovem volta para Santos (SP)

O drama do santista foi amplamente divulgado pelos Inconfidentes e já foi um dos temas de audiência pública na Cidade

Caso Rafael: jovem volta para Santos (SP)

Carlos Ratton

03.10.2026

Fotos: Tony Valentte e Divulgação

“Eu só estou podendo ver o Rafa cada 15 dias. Eles estão sendo extremamente cuidadosos. Euem está cuidando dele lá é uma pessoa muito zelosa. Estou fazendo um vínculo muito importante com a equipe que está cuidando dele”.

A narrativa acima é de Andrea Cristina Pinheiro Machado Oliveira, mãe de Rafael Pinheiro Machado, que estava há quatro anos internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) Professor André Teixeira Lima, em Franco da Rocha (SP).

Hoje, ele se encontra em Santos (SP), em um serviço de residencia terapêutica recém montado pela Prefeitura, após um verdadeiro martírio familiar, retratado em inúmeras reportagens de Os Inconfidentes. Rafael cumpria medida de segurança de internação imposta após o reconhecimento de sua inimputabilidade.

“Eu estou tranquila, apesar de ainda vê-lo pouco por conta de uma adaptação. Eu reconheço os cuidados que ele vem recebendo, mesmo que ele ainda não entenda. Aos poucos, ele vai poder acessar não só os serviços de saúde que ele tem direito, mas a convivência familiar de forma supervisionada. Temos que respeitar a dinâmica do acolhimento. Até aula de dança ele está fazendo!”, explica a mãe, que foi orientada a fazer uma aproximação gradativa com o filho.

Andrea Cristina

Drama

O drama do santista foi amplamente divulgado pelos Inconfidentes e um dos temas de audiência pública na Cidade esta ano. O caso de Rafael foi até submetido à Comissão de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA), união internacional com 35 países membros do continente americano, com sede em Washington, nos Estados Unidos da América (EUA).

Rafael é portador de esquizofrenia. Em um dos graves surtos psíquicos ele agrediu a mãe que estava há anos lutando para garantir a internação permanente do filho.

Esquizofrenia é uma perturbação mental caracterizada por episódios contínuos ou recorrentes de psicose. Os sintomas mais comuns são alucinações (incluindo ouvir vozes), delírios (convicções falsas) e desorganização do pensamento.

Rafael é um homem de dois metros de altura e adquire muita força quando surta e, nessa situação, fala enrolado e ninguém entende suas ações. Ele já sofreu várias agressões físicas sendo que uma vez quase foi morto a tiros, tragédia só evitada porque alertaram sobre sua condição mental.

Rafael Pinheiro Machado e Andrea

Os autos o descrevem como portador de quadro clínico complexo e sobreposto, com referências a transtorno bipolar com surto psicótico desde a infância. Rafael tem transtorno delirante orgânico, esquizofrenia hebefrênica, transtorno afetivo bipolar e outros comprometimentos mentais graves e duradouros.

Esquizofrenia hebefrênica é um subtipo grave de esquizofrenia, caracterizado por desorganização acentuada do pensamento, discurso incoerente, comportamento infantilizado/bizarro e respostas emocionais inadequadas ou superficiais. Com início precoce (adolescência ou início da vida adulta), apresenta prognóstico desfavorável e tratamento desafiador.

A perícia médica concluiu pela cessação da periculosidade de Rafael, recomendando tratamento ambulatorial. O laudo multidisciplinar indicou a necessidade de continuidade do tratamento em instituição, como forma de assegurar sua reintegração psicossocial, nas proximidades do município onde residem seus familiares, no caso Santos.

“Minha expectativa é de conviver mais com ele, dentro daquilo que for bom para ele. Também dentro daquilo que for permitido pela dinâmica do serviço da casa. Espero que ele acesse daqui a um tempo coisas de lazer junto comigo, que a gente possa acessar coisas de cultura, que ele sempre gostou muito, o Rafa fez música no Instituto Pão de Açúcar, ele tocava o Rabecão, música clássica, gostava de teatro, a gente ia em shows”, explica Andrea

A mãe continua: “hoje eu sei que tem coisas que não serão possíveis, mas quem sabe um lugar com menos movimento, uma coisa mais tranquila, uma caminhada na praia, uma água de coco. É um filho que eu não convivo há quase nove anos, porque internou, voltou para casa (Santos) há poucos dias e internou. Eu também tenho que aprender o que é bom para ele, o que está dentro do limite dele, ele é um menino muito generoso, muito bondoso”, finaliza Andrea.

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