Cava da Pedreira: especialista volta a apontar como solução para a crise hídrica de Guarujá (SP)
Cava da Pedreira: especialista volta a apontar como solução para a crise hídrica de Guarujá (SP) Carlos Ratton

Cava da Pedreira: especialista volta a apontar como solução para a crise hídrica de Guarujá (SP)
Carlos Ratton
05/01/2026
Foto Divulgação/PMG
Mestre em Planejamento e Gestão do Território pela Universidade Federal do ABC (UFABC), graduado em Engenharia e História pela Universidade de São Paulo (USP) e atual Coordenador Administrativo e Financeiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), Amauri Pollachi, em entrevista exclusiva para Os Inconfidentes, retoma a discussão sobre um antigo projeto que acabaria com a falta de água em Guarujá e Vicente de Carvalho: a transformação da cava da pedreira em um reservatório gigante.

A cava é uma antiga pedreira da Engebrita, localizada no quilômetro 72,5 da Rodovia Domênico Rangoni, Piaçaguera-Guarujá. Teria capacidade para armazenar cerca de três bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer a cidade por meses de estiagem.
O projeto é discutido desde 2010. A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) chegou abrir licitações em 2021, mas a proposta não prosperou por questões de suspensão da desapropriação da área particular e outros trâmites burocráticos com a Prefeitura de Guarujá.
O investimento previsto era de mais de R$ 133 milhões. A tecnologia incluía a interligação de adutoras e um sistema de bombeamento e previa a instalação de equipamentos de geração hidrelétrica para suprir parte da energia da estação elevatória.
O impacto seria a melhoria do sistema beneficiará toda a Baixada Santista, pois outros municípios não precisarão mais transferir água para a cidade.
“Ela teria uma condição de armazenamento de água semelhante a que existe lá no Túnel Santa Tereza, que fica entre Santos e São Vicente, e daria uma tranquilidade muito grande para o abastecimento do Guarujá, até porque você poderia estocar a água produzida em períodos de chuvas para depois utilizar em períodos como a gente está agora. Ela seria fundamental”, afirma Pollachi.
Pesquisador na UFABC, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, especialista em saneamento e recursos Hídricos, além de ter exercido diversos cargos na Sabesp e na Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo e, ainda, ter sido presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp, Amauri Pollachi (foto) disse que a Sabesp, entre os anos 2004/05, recebeu um engenheiro especialista em recuperação ambiental de pedreiras, que se ofereceu transformar a cava em reservatório.

“Com o encerramento da lavra, uma cava tem que ser de alguma forma utilizada. Como parque, depósitos de rejeitos, um aterro sanitário e outras múltiplas possibilidades, inclusive como reservatório de água. Foi lançado um edital para que fosse feito o projeto, mas houve divergências no valor que a Sabesp queria pagar para desapropriação ou indenização ao proprietário da área da pedreira. O proprietário queria 60 milhões e a Sabesp queria pagar R$ 25 milhões”.
Para o especialista, o ideal era que fosse feita uma arbitragem, mas a Sabesp, em 2023, já na reta final preparada para privatização, resolveu encerrar investimentos e optou por encerrar o edital e o projeto. “Que foi um erro brutal em termos de desenvolvimento regional. De aproveitamento de algo que lá hoje é uma chaga dentro da área ambiental e que você iria aproveitar para o melhor benefício possível, que é reservação de água para a população que mais precisa”, dispara Pollachi.
Vontade política
O especialista trouxe à tona um projeto antigo que só não foi para frente por conta da falta de representação política da Baixada Santista junto ao Governo do Estado, que na atual gestão – Tarcísio de Freitas (Republicanos) - é responsável pelo caos hídrico regional, que agora chega aos bairros da orla regional.
Há anos que entra prefeito e sai prefeito. Entra deputado e sai deputado, e ninguém com voto popular fez o mínimo esforço para pressionar o Governo de São Paulo. A situação atual é a mesma. Por intermédio das redes sociais, culpam a Sabesp (hoje privatizada) pela falta de água, mas não Tarcísio de Freitas que a privatizou.
No final do ano passado, Amauri Pollachi antecipava o caos e culpava a privatização da Sabesp como a verdadeira vilã do problema. Leia mais em https://osinconfidentes.com.br/agua-caos-na-baixada-santista-preve-especialista/
O desabastecimento em várias cidades está atingindo em cheio a população mais vulnerável, causando transtornos incalculáveis à população da região.
A falta de água que já chegou à orla de Santos, por isso a grita geral, desde antes do Natal já castigava Cubatão, São Vicente, Guarujá e Praia Grande. A falta do líquido impede as pessoas de realizarem não só a higiene pessoal, como a preparação das refeições.
O sofrimento é duro e silencioso. Crianças e adultos carregando baldes, improvisando banhos em córregos e recorrendo à solidariedade de vizinhos para beber água virou rotina.
Apesar das inúmeras reclamações e promessas de solução, a Sabesp segue sem atender adequadamente a população mais vulnerável, apesar do governador Tarcísio de Freitas ter prometido o contrário no Parque Valongo, em Santos, no início do ano passado, ao lado do CEO da Sabesp, Carlos Piani, e de muitos políticos que agora se aventuraram a ser influenciadores digitais de ocasião em ano eleitoral.

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