Central de Agendamento inoperante escancara o caos na saúde pública de Santos (SP)
Por Alexandre Miguel de Souza

Por Alexandre Miguel de Souza
28.02.2026
A saúde pública de Santos atravessa um cenário alarmante de desorganização e descaso. A Central de Agendamento de Consultas, que deveria ser a porta de entrada para consultas de retorno e exames, simplesmente não funciona. O telefone oficial (0800 013-1111) informa, de forma automática e repetitiva:
"Esse número de telefone não existe. Por favor, verifique o número e tente novamente."
Não se trata de um caso isolado. Vários munícipes relataram que há meses tentam agendar atendimento, sem sucesso. Pior: registram reclamações na Ouvidoria da Prefeitura e não recebem qualquer resposta. O silêncio da gestão é tão grave quanto a falha no serviço.
O problema do agendamento é apenas a face mais visível de uma crise maior. As filas de espera para consultas e exames se arrastam por meses, enquanto pacientes aguardam retornos que deveriam ser parte básica da continuidade do tratamento.
Na odontologia, a situação é ainda mais preocupante: a demanda reprimida cresce, faltam vagas, e a população sofre com dores e problemas bucais que poderiam ser resolvidos com atendimento oportuno.
E quem mais sofre com esse descaso é justamente a população mais humilde. São cidadãos e cidadãs que dependem exclusivamente do SUS e que, na maioria das vezes, não dispõem de recursos financeiros para pagar um plano de saúde ou uma consulta particular.
Para essas pessoas, o telefone que “não existe” significa tratamento interrompido, dor prolongada e incerteza. É a diferença entre cuidar da saúde ou conviver com o problema.
Quando o canal oficial de agendamento deixa de funcionar, não estamos diante de um simples erro técnico. Estamos diante de um retrato da desorganização administrativa. A população não pode ser obrigada a peregrinar por unidades de saúde, insistir em ligações inúteis ou implorar por informações básicas.
Saúde pública exige planejamento, gestão eficiente e respeito. O que se vê hoje é um sistema que não responde, não agenda e não acolhe. A Prefeitura precisa explicar:
Por que a Central de Agendamento está inoperante há tanto tempo?
Qual é o prazo real para regularizar o serviço?
Quais medidas estão sendo adotadas para reduzir as filas de espera, especialmente no atendimento odontológico?
A saúde não pode esperar. Cada ligação não atendida representa um cidadão sem consulta, um exame adiado, um tratamento interrompido. Isso não é apenas falha administrativa — é falta de compromisso com quem mais precisa do serviço público.
Alexandre Miguel de Souza é escritor e poeta santista

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