Chuvas de 2020 ainda castigam 540 famílias santistas
Carlos Ratton

Carlos Ratton
03.04.2026
FOTOS: PMS/Agência Brasil/CMS
Seis anos após as fortes chuvas de 2020 terem causado a morte de 45 pessoas na Baixada Santista, cerca de 540 famílias que ficaram desabrigadas em Santos (SP), principalmente as do Morro do Tetéu, ainda continuam sem receber uma política habitacional adequada, vivendo até hoje de um auxílio-aluguel de R$ 600,00, dinheiro considerado insuficiente para garantir uma moradia salubre e digna.
O caso foi denunciado pela vereadora Débora Camilo (PSOL) que está solicitando informações à Prefeitura de Santos, que havia prometido moradia adequada em um conjunto habitacional no Morro da Nova Cintra. Na ocasião das chuvas, os imóveis das famílias foram classificadas como inviáveis por estarem em área de risco.
“Apesar das promessas, passaram-se seis anos e nada foi realizado. Mesmo após inúmeros cadastros e exigências burocráticas, as famílias seguem sem políticas para sanar a questão principal: de moradia e o auxílio-aluguel ainda chega com atraso”, afirma Débora (foto).

A parlamentar santista alerta que o cadastro deveria ser refeito. “São muitas falhas. As famílias ficam na incerteza, tamanha a falta de diálogo e transparência sobre a destinação dos imóveis que foram prometidos no final do ano passado”, continua a parlamentar.
Questionamentos
Débora Camilo quer que a Prefeitura de Santos defina quando serão destinadas as moradias prometidas para as famílias, confirme quantas foram atingidas e estão aguardando a política habitacional, qual o valor do auxílio aluguel e porque destinados valores diferentes para algumas famílias.
Também quer saber o motivo dos atrasos, qual a lista de espera para a política habitacional, por que algumas famílias ficaram sem o benefício durante o recesso da Companhia Habitacional da Baixada Santista (COHAB Santista) e quando as famílias serão ressarcidas. Pede, por fim, uma reunião para esclarecer tudo entre a Administração e as famílias.
A Tragédia
Conforme amplamente divulgado, das 45 pessoas que morreram nos deslizamentos de terra provocados por fortes chuvas na Baixada Santista em 2020, oito eram de Santos. Foram 34 mortes em Guarujá e três São Vicente.
Após a tragédia, a Prefeitura de Santos realizou uma série de 12 obras de drenagem e contenção em 10 morros santistas, em dois investimentos: um na ordem de R$ 54 milhões e outros de R$ 97,5 milhões em obras de contenção de encostas, drenagem, zeladoria e acessibilidade.
A Defesa Civil chegou a informar o monitoramento de todas as áreas de encosta e foram interditadas mais de 600 moradias que estavam em áreas de alto risco, sendo que todas as famílias que habitavam esses locais foram assistidas com auxílio-aluguel. Algumas foram transferidas para conjuntos habitacionais.

Prefeitura
A COHAB Santista informa que as famílias vítimas dos deslizamentos ocorridos em 2020 foram indicadas pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de Santos (DEPRODEC) e inseridas no Auxílio Moradia Emergencial (AME)
Explica que o programa é custeado pelo Governo do Estado de São Paulo/Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Prefeitura de Santos/Companhia de Habitação da Baixada Santista (COHAB Santista).
Segundo revela, atualmente, são 316 famílias que integram os AME. O benefício é pago às famílias mensalmente, no valor de R$ 600,00, igual e ininterruptamente, desde 2020.
Ainda em nota, a Prefeitura informa que o Município e a COHAB Santista fizeram pleitos ao Governo do Estado de São Paulo/Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação visando à implantação de empreendimentos através do programa de Carta de Crédito Associativo – CCA, para destinação de unidades habitacionais à totalidade da demanda do AME. Não há ressarcimento a ser feito, o que há é o atendimento habitacional integral da referida demanda.

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