Conexão Porto-Cidade ainda ‘castiga’ moradores do Piratininga nesses 480 anos de Santos
Carlos Ratton

Carlos Ratton
28.01.2026
Fotos Tony Valentte
Localizado entre a Via Anchieta, o Distrito Industrial da Alemoa e o Rio Casqueiro, o bairro do Jardim Piratininga, fundado em 1969 e com características de cidade do interior, já foi reconhecido por sua tranquilidade e segurança. No entanto, há quase uma década e, em especial, no ano em que Santos (SP) completa 480 anos, a história é completamente outra.
Os Inconfidentes esteve conversando com a diretoria da Associação de Moradores do Jardim Piratininga e descobriu que entra prefeito e sai prefeito, entra vereador e sai vereador, e a situação só piora. O bairro, hoje, se tornou um verdadeiro caos urbano.
“As ruas viraram estacionamento de veículos de funcionários das empresas situadas na Alemoa. Não respeitam nem as calçadas rebaixadas em frente as garagens. Não há sinalização adequada e o movimento causa perigo a crianças e idosos devido à alta velocidade dos carros e caminhões. Ambulâncias e bombeiros têm dificuldades para trafegar e estacionar”, afirma a diretora Sara Amorim.

O vice presidente da Associação aponta outros problemas. “Nossas calçadas, fios elétricos e tubulação de esgoto vivem quebrados por caminhões pesados. Quando há qualquer congestionamento na Via Anchieta, o GPS joga o fluxo para dentro do bairro. Isso ocorre de segunda à segunda-feira por não haver rota de fuga. Foram construídas três rotatórias sem qualquer critério técnico”, reclama Amir Murad Barbosa.

Localizado na Zona Noroeste de Santos, divisa com Cubatão, próximo ao bairro Alemoa e ao Rio Casqueiro, o Piratininga conta com uma policlínica e duas escolas municipais (UME Dr. José da Costa e Silva Sobrinho e UME Luiz Gonzaga Alca de Sant'Anna). Infraestrutura e Acesso é servido somente pela linha de ônibus 108 (Terminal Valongo).
“Falta transporte público. Pontos de ônibus foram retirados. Cadeirantes e idosos tem que subir passarelas e são roubados quando vão para outros bairros de Santos. Até tentativas de estupros já foram registradas”, completa uma moradora.
O bairro situa-se próximo ao viaduto do bairro São Manoel. Caracteriza-se pela falta de comércio interno para necessidades básicas, exigindo deslocamento para outros bairros.
Porto-Cidade
O presidente da Associação, Diego da Silveira Reis (foto), já perdeu as contas de quantas vezes concedeu entrevista à veículos de comunicação ressaltando os mesmos problemas. Já fez até campanha virtual para alertar sobre os prejuízos urbanos ocorridos no bairro e no do São Manoel após a implantação do projeto Conexão Porto Cidade, que prometia melhorar o acesso de caminhões pesados sem entrar no bairro.
Ele alerta que apesar de em 2016 ter sido criado Estudo de Impacto de Vizinhança pela Ecovias, obrigatório por Lei Municipal, com participação da Comissão Municipal de Análise de Impacto de Vizinhança, a comunidade nunca foi comunicada das intervenções. Tudo é descoberto depois.

Segundo constado pela Reportagem, há meses, moradores passaram a ser ameaçados com armas e agressões por motoristas por conta da desordem no trânsito. As lombadas – baixas e largas - não diminuem a velocidade dos veículos e não existem câmeras de segurança suficientes e nem faixas vivas. O bairro ainda vem perdendo todo o espaço verde.
“Construíram um viaduto que passa por cima das nossas casas. Em razão da continuação da obra na Rodovia Bandeirantes e o alargamento da faixa para os bi trens passarem com suas toneladas de produtos diuturnamente, nossas casas estão rachadas”.
Socorro
Reis afirma que, na verdade, o Piratininga está pedindo socorro. O bairro vem sendo usado por veículos de forma transitória para acessar a saída da Anchieta. “O volume é muito grande, o bairro não tem condições nenhuma. São grandes caminhões, bitrens que adentram o bairro. As ruas são curtas e ocorrem danos aos veículos dos moradores, às residências. Sem falar do risco gigantesco que temos de acidentes”.
Segundo o presidente, teve um acidente um tempo atrás na Anchieta e os motoristas usaram o bairro para poder pegar o viaduto, usando contramão de direção. Tudo para fugir do engarrafamento por dentro do bairro, pegar o sentido centro de Santos de novo e ir para São Paulo por São Vicente, porque por Cubatão ficou inacessível.
O presidente gostaria que, na semana de aniversário da Cidade, a comemoração e o olhar fossem diferentes. “Nós sempre levamos os problemas para as autoridades. Temos diversos ofícios e documentação para comprovar. No entanto, fazem pouco caso. É preciso que venham até o Piratininga, entendam os nosso problemas e nos deem de presente as soluções”.

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