Contrato de gaveta
Joaquim José da Silva Xavier

Joaquim José da Silva Xavier
31.03.2026
Em 31 de março de 1964, um golpe militar derrubou o governo democraticamente eleito de João Goulart, instaurando no Brasil uma ditadura que durou 21 anos. Além da supressão de direitos políticos, censura, tortura e morte de opositores.
Neste 31 de março, uma situação precisa ser lembrada por milhares de brasileiros, principalmente em ano eleitoral e quando, novamente nossa democracia se vê ameaçada.
O então pré-candidato a presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), inconformado em ver o pai e ex-presidente Jair Messias Bolsonaro preso por tentativa de golpe de estado e outros crimes, mencionou um suposto "contrato de gaveta para golpe", numa entrevista ano passado.
Nela, o acusado por fazer ‘rachadinha’, sinalizou que para um candidato receber o apoio de seu pai, nas eleições presidenciais, deveria se comprometer a conceder indulto (perdão) aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e a confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF), se necessário. O jornalista Reinaldo Azevedo fez até um forte comentário em um de seus programas.
Segundo já bastante divulgado, Flávio Bolsonaro mencionou até em agir "fora das quatro linhas da Constituição" – como o pai gostava de falar no cercadinho enquanto presidente - e usar a força contra o STF caso a Corte declarasse o indulto inconstitucional.
Flávio Bolsonaro chegou a refutar as acusações de golpismo, afirmando que a divulgação de supostos áudios (em outro contexto) marcava o "fim da farsa do golpe" e que o processo para incriminar seu pai era fabricado. Dá até pena!
Mas, muitos jornalistas, em nenhum momento houve uma interpretação fora de contexto. Foi, sim, uma ameaça explícita à democracia, sugerindo a existência de um acordo secreto – o "contrato de gaveta" – que já estaria em curso com candidatos alinhados ao seu segmento político, visando um futuro rompimento institucional. Ou seja, um possível "golpe em 2027" e, portanto, uma história que poderá se repetir caso a população brasileira não ‘abra os olhos’. Oremos!

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