‘Costura’ de Mourão por avanços reforça a ideia de Tarcísio em extinguir Agem

Carlos Ratton

‘Costura’ de Mourão por avanços reforça a ideia de Tarcísio em extinguir Agem

Carlos Ratton

19.02.2026

Fotos: Divulgação/PMPG/Instagram

“Para que serve o Condesb, se os rumos e prioridades do transporte metropolitano são discutidos em encontros de gabinete? Para quem não sabe, o Condesb, por determinação de lei federal (Estatuto da Metrópole) e da Constituição Estadual de São Paulo tem a competência de planejar e fazer a gestão das funções públicas de interesse comum aos nove municípios da região. A mobilidade urbana é uma dessas funções”, postou nas redes sociais o arquiteto urbanista santista José Marques Carriço, após tomar ciência da reunião do prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes, no último dia 10.

O arquiteto pode ter razão. A reunião de cerca de quatro horas reforça a possibilidade de extinção da Agência Metropolitana (Agem), braço operacional do Conselho Metropolitano da Baixada Santista (Condesb). Tarcísio já avisou que quer acabar com o órgão, que já foi classificado como “uma casa de chá”, por ser inoperante. E o Condesb pode ir na mesma toada.

Segundo informado pela própria Prefeitura de Praia Grande, Alberto Mourão - que não é de hoje que caminha por conta própria em termos regionais, praticamente ‘desprezando’ a existência e as funções do Condesb – alinhou as próximas etapas de diversas ações ligadas à infraestrutura, mobilidade urbana, habitação e saúde. Entre os projetos, destaque também para a chegada do Veículo Sobre Trilhos (VLT) em sua Cidade, um equipamento metropolitano.

Tarcísio está convencido de que os investimentos em regiões metropolitanas podem ser feitos diretamente pelos órgãos e secretarias estaduais, como o programa Rios Vivos, tocado pela Agência de Águas do Estado (SP Águas).

Paralelamente, vale lembrar que o esvaziamento do Condesb é uma realidade. Na última reunião (05 de fevereiro), quando foi eleito o novo presidente da entidade, o prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo (PSD), praticamente metade dos prefeitos não apareceu. Além do próprio Mourão, mandaram representantes Rogério Santos (Santos), Cristina Wiazowski (Mongaguá) e Farid Madi (Guarujá).

Ainda Mourão

Na reunião com Tarcísio de Freitas, Mourão, sem falar com prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Podemos), ainda aproveitou para solicitar a implantação de uma terceira faixa de rolagem na Ponte do Mar Pequeno – que praticamente liga São Vicente a Praia Grande, no período das 6 às 9 horas da manhã, sentido São Paulo, para melhorar o fluxo na saída de Praia Grande. Também tratou a construção de duas faixas de rolagem na descida da mesma Ponte para ajustar o fluxo para São Vicente.

Mourão tratou sozinho sobre obras na área da concessão da Concessionária Novo Litoral (CNL), pavimentação da estrada para o presídio estadual, construção do viaduto na Curva do S e sua alça de acesso às marginais e aos bairros da região do Trevo, melhoria do sistema viário sob o viaduto Samambaia e necessidade de criação de uma faixa exclusiva para motos na Via Expressa Sul.

Na área da Saúde, ampliação de leitos, de consultas de alta complexidade, cirurgias eletivas, exames de cateterismo e ressonância magnética e aprimoramento do convênio do Hospital Irmã Dulce. Na Habitação, construção de unidades habitacionais de interesse social para a retirada de famílias de área invadida. Tudo poderia ser feito com o respaldo do Condesb. 

Amado não morre de amores por Mourão

Vale também lembrar que a ‘falta de vínculo’ de Mourão com os problemas regionais gerou um desconforto com a último presidente do Condesb, o prefeito Kayo Amado, que não aceitou críticas do prefeito de Praia Grande ao seu município.

Mourão alegou que uma criança que “estava para morrer” internada no sistema de saúde vicentino teria sido transferida para Praia Grande. Em vídeo postado em suas redes sociais, Amado (foto) classificou os comentários como “escrotos” e “mentirosos” e disse ainda que não tinha medo Mourão.

Amado ainda afirmou que a criança precisava de um atendimento médico específico que, segundo ele, é pago pelo Governo de São Paulo para ser oferecido em Praia Grande. “Amigo, você recebe dinheiro do Estado, mais de R$ 40 milhões por ano, mais de R$ 3 milhões por mês, para oferecer leitos regionais”, rebateu. A criança foi transferida para Praia Grande por meio do Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS).

Amado foi mais longe. Afirmou que o secretário de saúde de Praia Grande, José Isaías Costa Lima, teria solicitado insumos de saúde, como fios de sutura, à administração vicentina, situação que também teria ocorrido com bombas de infusão em novembro do ano passado.

“Então, antes de você apontar o dedo para São Vicente, faça a tua lição de casa. Não é cara feia não, a gente se ajuda regionalmente. Se você precisar de ajuda de novo, mesmo você não pedindo, a gente vai estar aqui para se ajudar”, disse.

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