Da Baixada Santista para o México: A trajetória da artista Diez e a criação da Companhia Latino-Americana de Artes Performativas

Por Cidinha Santos
21.07.2026
Foto Divulgação
Em tempos em que as narrativas de colapso social, emergência climática e crises políticas parecem hegemonizar a imaginação contemporânea, uma pergunta insiste em emergir nas franjas do debate cultural: é possível gestar o prazer quando tudo ao redor parece ruir?
É no cerne desse questionamento que a performer, pesquisadora e produtora cultural santista Diez, de 26 anos, embarca no próximo dia 27 de julho rumo ao México. A artista é a única representante brasileira a integrar a recém-criada C.L.A.P! (Companhia Latino-Americana de Artes Performativas), coletivo que estreia em agosto a intervenção urbana “El Placer en el Fin del Mundo”.
O projeto marca o lançamento oficial do grupo e conta com o aporte financeiro do Ibercena (edital 2025-2026), dos fundos internacionais de fomento às artes cênicas de maior prestígio na Ibero-América.
Encontros do Sul: A gênese do coletivo
A aliança criativa entre Diez e os outros cinco artistas das artes vivas oriundos do México, Chile e Argentina não nasceu ao acaso. O embrião da C.L.A.P! surgiu em 2025, durante a residência artística Avanzada Sur, idealizada pela Fundação Cuerpo Sur, no Chile.
A afinidade estética e política construída em solo chileno desdobrou-se na necessidade de criar estrutura duradoura de cooperação continental. Na América Latina historicamente marcada pela fragmentação de suas redes culturais, a formação da C.L.A.P! propõe um contraponto: a construção de alianças transfronteiriças fundadas na pesquisa do corpo e do espaço urbano.
"O objetivo é articular a criação e a distribuição de artes performativas em escala continental, tensionando limites geográficos e conectando territórios que compartilham dores e invenções semelhantes."
Xalapa como laboratório: Cartografias e a arte da rua
A primeira parada dessa jornada transnacional acontece entre os dias 1º e 15 de agosto, na cidade de Xalapa, no México. Durante duas semanas, os seis artistas estarão imersos no processo de pesquisa cartográfica e oficinas abertas voltadas à comunidade local.
Distante dos palcos tradicionais e caixas pretas dos teatros, o grupo levará para as ruas da cidade mexicana a provocação central do trabalho: investigar as percepções locais sobre a ideia de "fim do mundo" e vislumbrar brechas para o afeto, a festa e o prazer no cotidiano. O ciclo de imersão culminará em série de performances públicas.
O retorno ao território local
A proposta da C.L.A.P!, no entanto, nega a lógica do extrativismo cultural. O projeto prevê desdobramento descentralizado nas cidades de origem de cada integrante.
Para a cidade de Santos, a circulação dos resultados não se dará apenas pelo relato de viagem, mas pela materialização de novas obras. O público da Baixada Santista acompanhará os desdobramentos da pesquisa mexicana por meio de:
• Lançamento de publicação independente (zine) com os registros poéticos e teóricos do processo;
• Exibição de videoperformance captada durante as intervenções urbanas no México.
Trajetória de pesquisa e intervenção
Graduada em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP (2024), Diez acumula sólida trajetória na intersecção entre performance, autogestão artística e políticas públicas. Agente Territorial de Cultura pelo Ministério da Cultura (MinC) desde 2024 e colunista mensal da rádio Hora do Sabbath, a artista tem no corpo, no trabalho e no direito ao ócio os eixos centrais de sua pesquisa.
Sua circulação internacional já teve passagem pelo Chile em 2026 com o trabalho “Sonhar o Ócio” (no Festival Ventana al Sur) e nacionalmente na Mostra de Arte da Juventude (MAJ) do Sesc Ribeirão Preto com a obra “Não Separe a Arte da Artista”. No cenário regional, transita entre a palhaçaria com o projeto Praiaces e a cena independente na idealização da Festa SELVAGERYA.
A ida de Diez ao México com o apoio do Ibercena reforça a projeção da arte independente produzida na Baixada Santista em circuitos internacionais de alta relevância, reafirmando a força do território como polo exportador de linguagem, crítica e inventividade.
Para acompanhar o projeto e contatos: Instagram: @nuevediezz | @cia.l.a.p; Portfólio / Site: artediez.com.br; Imprensa e Parcerias: letdiez@live.com

Cidinha Santos é jornalista, assessora de comunicação do Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras e dos movimentos sociais, Promotora Legal Popular e membra da Frente pela Legalização do Aborto, Baixada Santista e cantante do Grupo Vozes.

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