Deputados estaduais da Baixada Santista defendem paralisação do VLT para evento privado

O trecho Conselheiro Nébias-Valongo desse modal sobre trilhos ficou 40 horas sem operação por causa dos 10 KM Tribuna-Terracom

Deputados estaduais da Baixada Santista defendem paralisação do VLT para evento privado

Sandro Thadeu

18.05.2026

Imagens: Divulgação/Alesp e Francisco Arrais/PMS

Um dia após Os Inconfidentes revelar a paralisação de 40 horas do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no trecho Conselheiro Nébias-Valongo, em Santos, para viabilizar uma corrida privada, o caso passou a gerar repercussão política e expôs divergências — além do silêncio — entre deputados estaduais da Baixada Santista.

Enquanto dois parlamentares que responderam aos questionamentos da Reportagem minimizaram o impacto do bloqueio, outros três não se manifestaram sobre o caso.

O ramal Conselheiro Nébias–Valongo, que iniciou a operação comercial na semana passada, ficou sem a circulação do VLT do meio-dia de sábado (16) até a madrugada da última segunda-feira (18) para viabilizar a logística dos 10 KM Tribuna-Terracom.

Falsa equivalência

Tenente Coimbra (PL) afirmou, em nota, não ver problemas na decisão da concessionária BR Mobilidade em interromper a operação do VLT, "desde que a medida tenha um aviso prévio aos munícipes".

O parlamentar comparou a interrupção ao que ocorre em outros modais de transporte no País, como linhas de ônibus, e acrescentou que não visualiza a medida de forma negativa "desde que o poder público disponha de alternativas para os usuários".

A comparação, porém, encontra diferenças operacionais importantes. Enquanto ônibus podem ter itinerários desviados temporariamente, o VLT depende exclusivamente da via férrea, o que torna a interrupção do trecho equivalente à paralisação integral do sistema naquele percurso.

Tradição da prova

Já Solange Freitas (União) destacou a tradição de 40 anos da prova de pedestrianismo e pontuou que reuniões antecipadas são realizadas anualmente entre os organizadores e a Prefeitura de Santos para minimizar os transtornos.

A deputada ressaltou que esta foi a primeira edição com esse novo trecho do VLT em operação, destacando que a linha "até pouco tempo atrás estava em fase de testes e ainda opera em caráter especial até o segundo semestre deste ano".

Solange declarou que a decisão foi tomada em conjunto com a Prefeitura para evitar acidentes e informou ter conversado com a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que teria sinalizado que "avaliará os resultados dessa alteração".

Tenente Coimbra (PL) e Solange Freitas (União) trataram a interrupção da operação do VLT como uma medida operacional necessária para viabilizar a prova de pedestrianismo

Silêncio dos demais parlamentares

Os parlamentares estaduais Caio França (PSB), Paulo Corrêa Jr. (Republicanos) e Paulo Mansur (PL) foram procurados pelos Inconfidentes para se posicionar sobre a interrupção do VLT, mas não enviaram respostas até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.

A ausência de manifestação de Mansur chama atenção especialmente pelo papel institucional que ocupa no Legislativo paulista. O parlamentar é o único representante da Baixada Santista a integrar a Comissão de Transportes e Comunicações da Alesp, sendo um dos três membros de seu partido no colegiado.

Caio França (PSB), Paulo Corrêa Jr. (Republicanos) e Paulo Mansur (PL) não se manifestaram

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