Ex-primeira-dama de Bertioga deixa Prefeitura dias antes de sofrer revés judicial

No dia 6 de maio, Vanessa Matheus foi condenada, em primeira instância, por atropelar um ciclista em 2022

Ex-primeira-dama de Bertioga deixa Prefeitura dias antes de sofrer revés judicial

Sandro Thadeu

09.05.2026

Imagens: Reprodução/redes sociais

A ex-primeira-dama de Bertioga Vanessa Menniti Matheus pediu exoneração do cargo de diretora do Departamento de Ações Governamentais da Prefeitura. A decisão foi oficializada por meio de portaria assinada pelo atual chefe do Executivo, Marcelo Vilares (União), na última sexta-feira (8), com efeito retroativo ao dia 1º de maio.

No dia 30 de abril, ela pediu para deixar a gestão em uma carta de próprio punho. A saída ocorreu dias antes de sofrer um revés na Justiça.

No dia 6 de maio, Vanessa foi condenada, em primeira instância, por lesão corporal culposa — quando não há intenção de provocar o resultado — pelo atropelamento de um ciclista ocorrido em dezembro de 2022, no bairro Maitinga.

À época do acidente, ela era casada com Caio Matheus, que administrou o Município entre 2017 e 2024 e atualmente é pré-candidato a deputado estadual pelo PSD.

Sequelas permanentes

De acordo com a sentença da juíza Maisa Leite, da 2ª Vara de Bertioga, o atropelamento ocorreu na Rua João Ramalho. O veículo conduzido por Vanessa invadiu a calçada e atingiu a vítima.

O ciclista sofreu traumatismo craniano, fraturas nas pernas e nos pés, além de sequelas permanentes.

Laudo do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) apontou redução funcional definitiva de 50% no tornozelo esquerdo da vítima e invalidez parcial permanente de 12,5%, conforme critérios da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O documento técnico também registrou deformidades ósseas, danos estéticos permanentes de grau moderado e limitações irreversíveis na mobilidade do ciclista, com impacto direto na qualidade de vida.

Mal súbito no volante

Durante o interrogatório judicial, Vanessa confirmou que dirigia o veículo VW/T-Cross no momento do acidente. Segundo consta no processo, ela relatou que havia assistido ao jogo da Seleção Brasileira em um estabelecimento comercial ao lado da filha e de amigos, mas negou ter consumido bebida alcoólica.

Em depoimento, alegou sofrer de hipotireoidismo, labirintite e claustrofobia leve. De acordo com sua versão, ao passar por uma curva próxima a um condomínio, teria sofrido um episódio repentino de tontura e escurecimento da visão.

Ainda conforme o relato, ela tentou desviar o veículo, mas acredita ter pressionado o acelerador em vez do freio, o que teria provocado a perda de controle do automóvel até a colisão contra a guarita de um condomínio.

Vanessa foi casada com o ex-prefeito Caio Matheus

Pena e agravantes

A juíza majorou a pena pelo fato de o ciclista estar sobre a calçada no momento do atropelamento e pela ausência de socorro imediato à vítima após o acidente.

Vanessa foi condenada a 1 ano, 11 meses e 12 dias em regime aberto. A pena, porém, foi convertida em prestação de serviços comunitários por sete horas semanais durante o período determinado pela Justiça, ou seja, quase dois anos.

Ela também deverá pagar dez salários mínimos à vítima, valor equivalente a R$ 16.210,00.

A magistrada determinou também uma indenização de igual valor ao ciclista em razão das despesas médicas, custos com medicamentos, danos materiais e os prejuízos morais decorrentes das sequelas permanentes.

A sentença prevê, ainda, que Vanessa fique com a CNH suspensa pelo período de um ano.

A condenação ainda cabe recurso.

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