Romeu Zema defende privatizações e redução do Estado para “salvar” o País

Durante visita a Santos, pré-candidato do Novo à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais quer facilitar demissão de servidores com baixo desempenho e revisão de benefícios sociais

Romeu Zema defende privatizações e redução do Estado para “salvar” o País

Sandro Thadeu

15.07.2026

Imagens: Divulgação

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, apresentou nesta terça-feira (15), em Santos, uma plataforma para “salvar” o País baseada em uma agenda de choque radical na administração pública, pautada em um tripé de moralidade no serviço público, austeridade fiscal e combate ao crime.

Durante encontro promovido pelo LIDE Litoral Paulista, no Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes), o político afirmou que o Brasil precisa desses três choques, além de quatro reformas econômicas.

As propostas, no entanto, também reacendem um debate recorrente na administração pública: até que ponto a diminuição da atuação estatal aumenta a eficiência ou reduz a capacidade do poder público de garantir políticas sociais e administrar setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa visão foi a defesa da privatização da Autoridade Portuária de Santos (APS). Mesmo diante do lucro líquido de R$ 724,6 milhões obtido pela estatal, em 2025, Zema afirmou que empresas públicas não devem permanecer sob controle governamental. “Sou a favor de toda privatização. O Estado brasileiro já tem muito o que fazer na segurança pública, na saúde e na educação”, frisou.

Na avaliação dele, a administração de empresas públicas favorece indicações políticas e reduz a eficiência da gestão. "Sempre tende a privilegiar alguns grupos e a se transformar em um cabide de empregos, como eu vi em Minas Gerais", justificou.

O pré-candidato a presidente afirmou ter promovido durante o mandato como governador de Minas Gerais (entre 2019 e março deste ano) a venda ou alienação de participações em 118 empresas estatais. No entendimento dele, os recursos obtidos devem ser destinados à infraestrutura e à redução da dívida pública. A última operação envolveu a Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais. Apenas a Cemig, uma das maiores concessionárias de energia elétrica do País, permaneceu sob controle estadual.

A APS teve um lucro líquido de R$ 724,6 milhões em 2025

“Geração de imprestáveis”

Além da agenda de privatizações, Zema defendeu que o Brasil precisa de mais três reformas estruturais: uma nova Reforma da Previdência, mudanças na administração pública e revisão dos programas sociais.

O político argumentou que o aumento da expectativa de vida dos brasileiros exige novos ajustes. "A Reforma da Previdência realizada em 2019 não foi suficiente. A expectativa de vida está crescendo e a conta não fecha", destacou.

Outra medida defendida foi uma Reforma Administrativa voltada ao aumento da eficiência da máquina pública. O ex-governador mineiro afirmou que pretende rever mecanismos de progressão automática nas carreiras do funcionalismo e facilitar a demissão de servidores com baixa produtividade. "Hoje demitir uma pessoa que tem baixíssimo desempenho é quase impossível. Tem muita promoção automática por tempo de serviço que precisa ser revista", desabafou.

Por fim, ao abordar os programas sociais, Zema defendeu endurecer o combate às fraudes e revisar as regras para manutenção dos benefícios assistenciais. Segundo ele, pessoas aptas ao trabalho que recusarem ofertas de emprego deveriam perder o auxílio recebido do Governo Federal.

"Homem ou mulher que não precisa cuidar de idoso ou de criança, ou seja, que tem disponibilidade de trabalhar e se receber duas, três ofertas de emprego e recusar todas, o benefício está suspenso. Estamos criando no Brasil uma geração de imprestáveis, que só aceita fazer bico e não quer sair dessa vida, dependendo de uma mesada do governo eternamente", frisou.

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