Economista protocola impugnação de futuro pátio de caminhões na Ilha Tatu em Cubatão (SP)

Processo prevê 45 dias – até praticamente o final deste mês – para contestações

Economista protocola impugnação de futuro pátio de caminhões na Ilha Tatu em Cubatão (SP)

Carlos Ratton

14.10.2026

Fotos: Divulgação/PMC/Facebook

O ex-secretário municipal, economista e corretor de imóveis Carlos Gilberto de Freitas protocolou na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) a impugnação do início do processo de licença ambiental prévia da empresa Condilog Operações SPE Ltda, para implantação do pátio de caminhões (complexo logístico) na Ilha Tatu, uma área considerada de grande importância ambiental.     

Ao mesmo tempo, iniciou uma campanha nas redes sociais tentando sensibilizar autoridades municipais e cidadãos e cidadãs para os reflexos que o futuro empreendimento poderá causar não só ao meio ambiente (a fauna, a flora, os manguezais e os recursos hídricos, qualidade do ar, emissão de poluentes, nível de ruído), como na qualidade de vida dos bairros do entorno (trânsito e mobilidade urbana, segurança viária, saúde pública, desvalorização dos imóveis drenagem e o risco de alagamentos, entre outros).

“A Ilha do Tatu e sua região não podem ser analisadas como se fossem uma área vazia, sem moradores, sem história e sem consequências sociais. Próximo de áreas residenciais e de comunidades consolidadas, um pátio de caminhões irá afetar direta e indiretamente a vida de mais de 60 mil moradores de Cubatão. Não se trata, portanto, apenas da instalação de um empreendimento logístico. Trata-se de uma intervenção de grandes proporções dentro de uma região habitada”, explica Freitas, que reclama da falta de transparência sobre a questão.  

Carlinhos de Freitas  

EIA-RIMA

Vale lembrar que a iniciativa prevê a necessidade de apresentação prévia de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA). A Cetesb publicou, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 14 de setembro, a abertura do processo a pedido da Condilog. A Autoridade Portuária de Santos (APS) é favorável à iniciativa, pois já havia revelado que os planos da Ilha do Tatu não estavam totalmente descartados e que se encontravam ainda em análise da autoridade.

O anuncio prevê 45 dias – até praticamente o final deste mês – para contestações, o que deverá ocorrer por parte dos cubatenses, que há dois anos iniciaram uma verdadeira guerra contra os planos da APS de instalar, na Ilha do Tatu, um pátio de caminhões e um condomínio logístico para atender o Porto de Santos.

Pedidos

Carlos de Freitas pede, no documento à Cetesb, a suspensão imediata de qualquer decisão definitiva, autorização, licença ou ato de implantação até que todas as dúvidas ambientais, urbanísticas e sociais sejam esclarecidas, que não seja concedida a Licença Ambiental Prévia enquanto não forem apresentados estudos completos e independentes e a realização de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental completos, com análise dos impactos diretos, indiretos, cumulativos e sinérgicos.

O economista requer também a análise específica do impacto sobre os mais de 60 mil moradores potencialmente atingidos; apresentação do número estimado de caminhões por dia, rotas, horários, tipos de carga e projeções futuras, realização de estudos completos de trânsito, ruído, poluição atmosférica, drenagem, risco de acidentes, saúde pública e segurança viária e apresentação de estudo comparativo de alternativas locacionais, incluindo o Sítio dos Areais e outras áreas afastadas das moradias.

Acredita que é preciso apresentação de parecer jurídico e ambiental esclarecendo por que o precedente do Projeto Nhápium seria ou não aplicável ao atual empreendimento a abertura integral dos estudos, documentos, mapas, plantas, pareceres e informações técnicas à população, realização de audiência pública presencial em Cubatão, com ampla divulgação, participação dos bairros atingidos e transmissão pela internet e a consideração formal das manifestações da Prefeitura, Câmara Municipal, deputados, Ministério Público, entidades, sociedades de melhoramentos e moradores, entre outras medidas.

Vale lembrar que há dois anos, entidades e representantes de bairros de Cubatão formalizaram um documento pedindo o impedimento da instalação do pátio. O documento ratificava argumentos apresentados numa reunião aberta, na sede da Associação de Melhoramentos da Ilha Caraguatá, envolvendo dezenas moradores, representantes de entidades de bairro de Cubatão e ainda especialistas ambientais, dando conta dos possíveis estragos ambientais e econômicos que o pátio pode gerar caso seja implantado na ilha.

O então o chefe da Secretaria de Relações Institucionais, ministro Alexandre Padilha, recebeu um documento.

Ainda segundo o documento, a obra iria também irá impactar a pesca artesanal e o turismo náutico, pois a alteração do ecossistema local poderia prejudicar uma atividade econômica tradicional da região, que depende da preservação das áreas naturais e da qualidade das águas.

Comunidade e especialistas apontam que o pátio iria ampliar os alagamentos dos bairros do entorno, especialmente na Ilha Caraguatá, que já enfrenta problemas, pois a substituição da vegetação nativa por estruturas de concreto e asfalto podem agravar os problemas de drenagem, colocando em risco a segurança e o bem-estar dos moradores.

Outros impactos destacados foram o trânsito e a poluição, em decorrência da construção e operação do empreendimento, que vai aumentar significativamente o tráfego de caminhões e outros veículos pesados na área, resultando em congestionamentos frequentes e aumento da poluição sonora e do ar.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) já se posicionou contra a instalação do pátio de caminhões ao lado do Viaduto Mario Covas (ponte estaiada). Ademário Oliveira (PSDB), enquanto prefeito,  já havia adiantado que não iria conceder alvará de funcionamento ao equipamento.

Tatu. 

A APS queria ceder, de forma onerosa a área da União de 530 mil metros quadrados, sendo 100 mil destinados à construção do pátio de triagem de caminhões, condomínio logístico e atividades acessórias, com 800 vagas para estacionamento. O empreendimento seria projetado para resolver os gargalos logísticos do porto de Santos e mitigar o impacto na cidade.

“Cubatão já deu ao Estado e ao Brasil uma enorme contribuição econômica, industrial e portuária. Durante décadas, nossa população sofreu com poluição, doenças, acidentes, degradação ambiental e ocupações urbanas cercadas por indústrias, ferrovias, rodovias e dutos. Não é justo que Cubatão continue recebendo os impactos negativos do crescimento portuário sem que sua população tenha voz efetiva nas decisões. Não somos contra o Porto de Santos, contra o desenvolvimento econômico ou contra a geração de empregos. Somos contra a escolha de uma localização que poderá prejudicar dezenas de milhares de pessoas quando existem alternativas que precisam ser devidamente estudadas”, finaliza Carlos de Freitas.

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