Edmilson Costa: "O Brasil está maduro para o socialismo"

Candidato do PCB à Presidência da República esteve em Santos, na última quinta-feira, e defendeu a convocação de uma nova Assembleia Constituinte e o fim do Senado

Edmilson Costa: "O Brasil está maduro para o socialismo"

Sandro Thadeu

11.09.2026

Imagem: Sandro Thadeu

O Brasil dispõe de um grande território, recursos naturais em abundância, estrutura industrial consolidada e capacidade técnica suficientes para romper com a lógica capitalista e dar o salto rumo ao socialismo. Essa é a avaliação do professor e economista Edmilson Costa, de 76 anos, candidato à Presidência da República pelo PCB, que participou de um ato político realizado na noite da última quinta-feira, na sede do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), em Santos.

Na avaliação do comunista, a história demonstra que as revoluções socialistas feitas no século XX ocorreram em países agrários, como União Soviética, China, Cuba e Vietnã, cujas economias enfrentaram enormes barreiras no processo de transição justamente por partirem de um patamar de forças produtivas atrasadas.

Por essa razão, o docente argumenta que o Brasil reuniria condições materiais mais avançadas para implementar o modelo. "A nossa tarefa é construir as condições subjetivas de organização das massas e da classe operária para que possamos levar a consciência de forma a que a grande maioria da população possa realizar as transformações de que o nosso país necessita", ressaltou.

O presidenciável mencionou a absoluta convicção de que os cidadãos não aguentam mais ter acesso a serviços públicos precários, enquanto grandes empresários, banqueiros e donos do agronegócio ganham dinheiro às custas do povo.

"A população brasileira está cansada dos velhos políticos que que prometem o paraíso pra população no momento das eleições e que ao terminá-las dão uma banana ao povo", ressaltou ele, que iniciou sua militância política aos 17 anos em plena ditadura civil-militar.

Cinco grandes transformações

Edmilson apresentou, de forma sintetizada, o programa de governo construído ao longo de seis meses pela base do partido e estruturado em cinco grandes transformações: política, econômica, social e trabalhista, saúde e educação, e relações internacionais.

Em relação ao primeiro aspecto, o candidato do PCB defende a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte logo após as eleições, com metade dos integrantes escolhidos pelo voto universal e o restante indicado pelos movimentos sindical, popular e da juventude.

Na mesma linha, propõe a extinção do Senado e a adoção de um Parlamento unicameral sob o mesmo modelo de representação mista, com o objetivo de transformar as "maiorias sociais em maiorias políticas".

O eixo político também contempla o fim do monopólio dos meios de comunicação por meio da transformação desses conglomerados em cooperativas de trabalhadores e a fixação de mandatos para os tribunais, sob o argumento de que é preciso promover maior rotatividade dos magistrados e democratização ao Judiciário.

Na economia, o programa do PCB vai na contramão das diretrizes fiscais tradicionais ao propor a nacionalização de todo o sistema financeiro, transformando o setor em uma estrutura pública voltada às demandas sociais e gerida, em parte, pelo Banco dos Trabalhadores.

A proposta nesse segmento inclui, ainda, a reestatização de empresas privatizadas e uma reforma agrária de caráter popular, com a desapropriação de latifúndios improdutivos para assentamento de cooperativas.

"Nós vamos deter sangria de recursos públicos de maneira a fazer uma auditoria da dívida interna para saber o que foi dívida efetivamente feita do ponto de vista real e o que foi a dívida financeira", frisou.

Evento foi realizado na sede do Sindaport, em Santos

Lei de Responsabilidade Social

No âmbito social e trabalhista, o destaque é a substituição da Lei de Responsabilidade Fiscal por uma Lei de Responsabilidade Social, acompanhada da implementação da jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redução salarial.

"É inadmissível no momento em que o sistema de produção está incorporando a inteligência artificial, a microeletrônica e a robótica ainda termos uma jornada de trabalho do século passado", frisou ele, que tem como vice na chapa a professora aposentada da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cleusa Santos.

A plataforma de governo também prevê o fim da escala de trabalho 6x1, a recomposição do poder de compra do salário mínimo para alcançar o piso ideal calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese - cerca de R$ 7,5 mil) em quatro anos e a formalização dos trabalhadores de plataformas digitais.

A estatização também aparece como eixo central para os serviços públicos essenciais. Na saúde, Edmilson defendeu a expansão da rede de médicos de família para fortalecer a prevenção e desafogar os prontos-socorros e hospitais. Na educação, a proposta consiste em absorver o Ensino Superior privado para ampliar os investimentos e a qualificação docente.

Luta contra o imperalismo

Na política internacional, Edmilson apresentou uma plataforma de enfrentamento ao imperialismo dos Estados Unidos e defendeu que o Brasil precisa adotar uma postura de maior autonomia.

Entre as propostas estão a construção de uma nova ordem econômica e política internacional, baseada em relações que considera mutuamente vantajosas, e a solidariedade a países que, segundo ele, enfrentam intervenções ou sanções de grandes potências.

O candidato do PCB citou especificamente Cuba, Palestina e Irã. No caso cubano, defendeu o envio de medicamentos, alimentos e petróleo pelo Brasil. Em relação à Palestina, propôs o rompimento das relações diplomáticas com Israel, classificado por ele como "um estado genocida".

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