Eleições: o futuro de Guarujá (SP) em jogo

Professor faz uma reflexão sobre o que pode ocorrer pós-eleições

Eleições: o futuro de Guarujá (SP) em jogo

Carlos Ratton

13.10.2026

Foto: PMG

“Imagine o debate em torno de uma eventual mudança na política externa que priorize acordos bilaterais com os Estados Unidos em detrimento do bloco que une potências emergentes como a China — principal parceira comercial do país — além de Índia, Rússia e novos membros estratégicos. E traga esse cenário para a realidade de Guarujá”.

Esse foi o início da reflexão feita recentemente pelo educador e ambientalista Matheus Marques. Ele lembra que Guarujá abriga uma fatia vital do Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina. Bilhões de dólares em commodities e produtos industrializados passam pelos nossos terminais de contêineres e grãos na Margem Esquerda.

“A China é uma das maiores compradoras de produtos que movimentam a engrenagem do porto. Se as relações diplomáticas esfriarem ou houver distanciamento do bloco, as barreiras comerciais e a perda de prioridade nas exportações podem desacelerar a atividade portuária”, acredita.

Para o professor, o Porto operando abaixo da capacidade significa riscos para empregos de caminhoneiros, operadores de pátio, estivadores, pessoal de logística e toda a cadeia de serviços que alimenta o trabalhador guarujaense.

“Muitas das grandes obras de infraestrutura, mobilidade e saneamento no Brasil contam com financiamento ou consórcios de empresas estrangeiras, fortemente impulsionadas pelas relações diplomáticas dos BRICS”, acrescenta.

Marques salienta que sem o suporte desse ecossistema financeiro, projetos locais de expansão urbana e a atração de novas indústrias para a Baixada Santista podem enfrentar escassez de crédito e juros mais altos.

“Você pode se perguntar: o que o comércio de Vicente de Carvalho ou os hotéis da Enseada têm a ver com as relações internacionais? Se a principal força motriz econômica da região (o Porto e a logística) perder tração devido a um isolamento comercial de blocos emergentes, haverá menos dinheiro circulando na cidade”.

Trabalhador

Matheus lembra que o morador que trabalha no porto gasta menos no supermercado do bairro, cancela a reforma da casa e deixa de consumir no comércio local. O turista de São Paulo pensa duas vezes antes de descer a serra se a economia nacional balançar com a perda de mercados internacionais.

O professor explica que a proposta de aproximação com a economia americana promete atrair investimentos de Washington. Contudo, o eleitor de Guarujá precisa avaliar que os Estados Unidos competem diretamente com o Brasil na exportação de diversos produtos agrícolas e têm uma postura historicamente mais protecionista. “Será que o mercado americano compensaria uma eventual perda de espaço no bloco que mais cresce no mundo?”, indaga.

Marques afirma que a geopolítica parece algo distante, decidido em gabinetes em Brasília, Pequim ou Washington. Mas o resultado prático dela bate à porta de quem vive em Guarujá.

“Ao analisar as propostas dos candidatos, o eleitor guarujaense não deve olhar apenas para ideologias, mas para a tábua de empregos, o movimento do porto e o desenvolvimento do município. Manter ou alterar as diretrizes internacionais do país é um caminho de progresso para a nossa região ou um risco para o motor econômico que sustenta milhares de famílias na Baixada?”.  

 

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