Empresa pede à Cetesb licença para pátio na Ilha Tatu, em Cubatão (SP)
A iniciativa prevê a necessidade de apresentação prévia de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA)

Carlos Ratton
05.10.2026
Foto: Divulgação/PMC/Facebook
Uma questão que estava praticamente engavetada volta a tirar o sono da população e autoridades de Cubatão (SP). A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) publicou, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, de 14 de setembro (ver documento abaixo), o recebimento do pedido de licença ambiental prévia da empresa Condilog Operações SPE Ltda, para implantação do pátio de caminhões (complexo logístico) na Ilha Tatu, uma área considerada de grande importância ambiental.

A iniciativa prevê a necessidade de apresentação prévia de Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) e tem o aval da Autoridade Portuária de Santos (APS) que, em 2024, havia dito que os planos da Ilha do Tatu não estavam totalmente descartados e que se encontravam ainda em análise da autoridade.
O anuncio prevê 45 dias – até praticamente o final deste mês – para contestações, o que deverá ocorrer por parte dos cubatenses, que há dois anos iniciaram uma verdadeira guerra contra os planos da APS de instalar, na Ilha do Tatu, um pátio de caminhões e um condomínio logístico para atender o Porto de Santos.
Na linha de frente da batalha se encontra o ex-secretário municipal e empresário do ramo imobiliário Carlos de Freitas, o Carlinhos. Morador de Cubatão, ele lamenta que a iniciativa tenha voltado a pauta de forma pouco transparente e sem discussão com as autoridades e com a sociedade organizada. Ele vem fazendo inúmeros vídeos e publicando sua indignação nas redes sociais.
Aos Inconfidentes, Carlinhos disse: “é muito claro. É uma afronta. É toda uma cidade contra a autoridade portuária. E já foi declarado isso. Prefeito, vereador, ex-prefeito, população, entidades, ministério público, até a Polícia Rodoviária falou que o local não é bom. Toda uma população. Isso vai ser um dos maiores escândalos aqui do Estado de São Paulo. Mesmo assim, somos agora pegos de surpresa com esse pedido de licenciamento, depois de várias reuniões, de protestos e de várias manifestações de todas as autoridades. Tem uma parte da Constituição que diz o seguinte, quando a situação causa uma comoção, a população está sempre certa. Vamos ver o que vai acontecer. Estamos nos reorganizando toda a cidade pra contra-atacar”, adianta.
Vale lembrar que há dois anos, entidades e representantes de bairros de Cubatão formalizaram um documento pedindo o impedimento da instalação do pátio. O documento ratificava argumentos apresentados numa reunião aberta, na sede da Associação de Melhoramentos da Ilha Caraguatá, envolvendo dezenas moradores, representantes de entidades de bairro de Cubatão e ainda especialistas ambientais, dando conta dos possíveis estragos ambientais e econômicos que o pátio pode gerar caso seja implantado na ilha. O então o chefe da Secretaria de Relações Institucionais, ministro Alexandre Padilha, recebeu um documento.
Ainda segundo o documento, a obra iria também irá impactar a pesca artesanal e o turismo náutico, pois a alteração do ecossistema local poderia prejudicar uma atividade econômica tradicional da região, que depende da preservação das áreas naturais e da qualidade das águas.

Comunidade e especialistas apontam que o pátio iria ampliar os alagamentos dos bairros do entorno, especialmente na Ilha Caraguatá, que já enfrenta problemas, pois a substituição da vegetação nativa por estruturas de concreto e asfalto podem agravar os problemas de drenagem, colocando em risco a segurança e o bem-estar dos moradores.
Outros impactos destacados foram o trânsito e a poluição, em decorrência da construção e operação do empreendimento, que vai aumentar significativamente o tráfego de caminhões e outros veículos pesados na área, resultando em congestionamentos frequentes e aumento da poluição sonora e do ar.
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) já se posicionou contra a instalação do pátio de caminhões ao lado do Viaduto Mario Covas (ponte estaiada). O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), já havia adiantado que não iria conceder alvará de funcionamento ao equipamento.
Tatu.
Se fosse a Ilha do Tatu, a APS queria ceder, de forma onerosa a área da União de 530 mil metros quadrados, sendo 100 mil destinados à construção do pátio de triagem de caminhões, condomínio logístico e atividades acessórias, com 800 vagas para estacionamento. O empreendimento seria projetado para resolver os gargalos logísticos do porto de Santos e mitigar o impacto na cidade.

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