Erika Hilton reage a fala transfóbica de Rosana Valle na Câmara dos Deputados
09.04.2026

09.04.2026
Sandro Thadeu
Imagens: Reprodução/TV Câmara
Um embate entre as deputadas federais Erika Hilton (PSOL) e Rosana Valle (PL) marcou a reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, realizada nesta quarta-feira (8). O episódio elevou o tom dos debates no colegiado e terminou com acusações de comportamento ofensivo e fala considerada transfóbica por parte da parlamentar da Baixada Santista.
A discussão teve início após críticas da integrante do PL à condução dos trabalhos da comissão, presidida por Erika. Rosana afirmou que o espaço estaria sendo utilizado como palco de “militância ideológica” e reclamou da falta de deliberação de propostas importantes, incluindo um requerimento de sua autoria para realização de audiência pública para debater a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da endometriose.
A deputada do PL também questionou a ausência de articulação da presidência para garantir a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em reuniões do colegiado. Segundo ela, temas relevantes deixaram de ser debatidos, como o fato de o Governo Lula ter executado apenas 15% da verba do Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios nos últimos dois anos.
O momento mais tenso ocorreu quando Rosana afirmou que Erika não a representava como mulher e fez uma declaração interpretada como transfóbica. Ao mencionar um possível confronto entre elas, disse que recorreria à Lei Maria da Penha alegando que a colega teria “força de um homem” (veja o vídeo abaixo).
A fala ofensiva provocou reação imediata entre os presentes, pois a legisladora do PL utilizou o gênero biológico para deslegitimar a identidade da integrante do PSOL, que é uma mulher trans.
Tolerância zero
Erika respondeu de forma contundente, acusando a colega de ter feito um discurso para buscar visibilidade nas redes sociais e de adotar uma postura agressiva e desrespeitosa. Durante o embate, deixou claro que não se intimidaria diante das críticas (veja o vídeo completo abaixo).
"Se Vossa Excelência partir para cima de mim, nós procuraremos também as legislações que me protejam e me defendam. A opinião de Vossa Excelência não me importa. O que a Vossa Excelência acha não me interessa", frisou.
A presidente da comissão também rebateu a acusação de omissão quanto ao convite à ministra das Mulheres. "Vossa Excelência mente, porque na última reunião, com a deputada Clarissa (Tércio - PP-PE), que não vai me deixar mentir, eu disse que não iria acolher o pedido, pois já convidaria a ministra", explicou. Como a parlamentar de Pernambuco não se sentiu contemplada, o requerimento entrou na pauta da reunião da comissão desta quarta-feira.
Ao finalizar o discurso, mencionou que Rosana era "agressiva", "odiosa" e "desrespeitosa". "A Vossa Excelência não pode esperar que eu ouça os horrores. Vossa Excelência disse barbaridades contra mim. Ninguém vai tirar o meu direito de falar enquanto deputada. Se Vossa Excelência acha que eu grito, eu lhe oriento a comprar um protetor auricular. Gritarei o que for necessário. Fui silenciada e calada durante muito tempo. E agora gritarei tudo aquilo que eu acho que é verdade", desabafou.

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