Escolas de Santos estão 'negligenciadas' e põem em risco crianças, denuncia vereador
Carlos Ratton

Carlos Ratton
06.03.2026
Fotos: Instagram/Facebook/Divulgação/CMS
Uma situação grave, que deve até ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), está sendo denunciada nas sessões da Câmara de Santos (SP) nos últimos dias: parte das escolas municipais estão ‘negligenciadas’, pondo em risco crianças diariamente. O vereador Allison Sales (PL), autor das denúncias, promete encaminhar um relatório com fotos e vídeo nos próximos dias ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
Sales, que vem se manifestando na Câmara por várias sessões sobre a questão, disse que já visitou pelo menos seis escolas e pretende visitar mais 10. “Recebi dezenas de denúncias e iniciei um averiguação. Soube que já fizeram até denúncia ao MP-SP em relação à Unidade Municipal de Ensino (UME) Lydia Federici (Rua Mato Grosso, 83 – Boqueirão), que é questão de interdição imediata porque chove mais dentro do que fora”, alerta o parlamentar.

O parlamentar afirma que a situação é assustadora. As crianças e os professores tendo que lidar com cheiro de mofo permanente. “Escorre águas pelas paredes. As crianças podem até levar choque. O corpo docente também não fica livre do risco. A sala da diretora tinha dois baldes quando visitei. Como conseguir bons índices para a escola dessa forma?”, indaga.
Sales afirma que a situação da UME Doutor Porchat (Rua Ana Pimentel, 23, na Ponta da Praia) não é diferente. “É surreal. O teto está caindo. A sala de aula virou uma piscina. O que mais me assusta é que a Administração costumam inaugurar as escolas modelo, mas as que já existem não estão sendo cuidadas. Não adianta inaugurar novas escolas e não garantir a manutenção das já existentes”, opina.

Vereador entrou na escola e viu sala cheia de água
Allison Sales cita também a UME Olívia Fernandes (Praça Fernando Prestes, s/n – Embaré), a UME Gota de Leite (Rua Xavier Pinheiro, 217 – Encruzilhada) e a UME Irmão José Genésio (Rua Pedro Borges Gonçalves, 106 - José Menino). “Essa última nem acessibilidade tem. Como pode, em pleno século 21, uma escola não ter acessibilidade. Aliás, a maioria das escolas de Santos não possui nem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), exigido em qualquer comércio da cidade”.
Também enfatiza a situação da UME Hilda Rabaça (Rua Santa Maria, 9 – Chico de Paula). ”As crianças estão amontoadas dentro de uma outra escola que cedeu três salas porque as reformas não estão prontas. E a unidade foi contemplada e já recebeu mais de quatro milhões dos sete previstos”.
O parlamentar critica a propaganda institucional que vem sendo feita para enaltecer as escolas entregues. “Visitar escola reformada é fácil. Os alunos do Caruara, na área Continental de Santos, sequer tem transporte gratuito. Eles têm que ficar na beira de uma rodovia, na chuva, correndo risco de vida para ir estudar. Dependem de ônibus intermunicipal. Será que a Secretaria da Educação, que tem uma verba imensa, não consegue um micro-ônibus ou van? Isso já acontece em cidades do Nordeste e aqui não”.

Rei Pelé
Como já denunciado e publicado pelos Inconfidentes, a Unidade Municipal de Educação (UME) Edson Arantes do Nascimento, localizada à Rua Bahia, 49, no Gonzaga, em Santos (SP), está dominada por ratos. A denúncia foi feita pelo vereador Zequinha Teixeira (PP), que recebeu muita reclamação de pais de alunos, preocupados com a saúde dos estudantes. Ele já encaminhou um requerimento à Prefeitura pedindo providências.
Prefeitura
A Secretaria de Educação informa que todas as 86 UMEs passam por serviços de manutenção. A pasta destaca ainda que realiza visitas técnicas frequentes para identificação de necessidades de melhorias, com o objetivo de abrir processos para intervenções de maior porte em conjunto com as secretarias responsáveis.
Nesse contexto, já foram iniciados serviços nas UMEs Lydia Federici e Porchat de Assis para a troca do telhado e atendimento de outras demandas. As demais unidades citadas (Olívia Fernandes, Gota de Leite e Irmão José Genésio) estão sendo atendidas dentro do cronograma de manutenção pelas equipes da Seduc e da Prodesan.

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