Esvaziamento de sessões mostram o culto de alguns vereadores de Santos (SP) ao personagem
A estratégia adotada em ambas sessões foi a inversão da pauta, causando embaraço para quem assistia na Casa e fora dela

Carlos Ratton
19.06.2026
Fotos: Tony Valentte/ Victória Muniz e Gabriel Dias (CMS)
Quando o cidadão ou cidadã santista abre o site da Câmara de Santos (SP) e busca por vereadores, a frase que logo aparece na tela do computador é: trabalhando com responsabilidade, sempre!
No entanto, duas sessões ordinárias esvaziadas, uma na terça (16) e outra na quinta-feira (18), demonstraram tanto para quem estava presente, como para quem assistia pela TV Câmara, que uma parte dos vereadores santistas tem pouco compromisso com o trabalho. Na verdade, entre legislar e o culto à personalidade, fica com a segunda opção.
Apesar de trabalho de vereador não se resumir apenas ao plenário, muitos mostraram mais apreço com poderosos de plantão do que com os anseios da cidade e com os eleitores que lhes depositaram um voto de confiança e, mais amplamente, com toda a sociedade santista que, no fim da linha, é quem paga seus subsídios (salários).
Na terça-feira, a estratégia adotada foi a inversão da pauta, que encurtou significativamente a sessão. De uma hora para outra, mas de forma combinada, ocorreu uma verdadeira debandada geral sem explicar nada.
O vereador Rui De Rosis Júnior (PL) bem que pediu o real motivo da inversão para o presidente da Casa, vereador Adilson Júnior (PP), mas ele preferiu não se manifestar. Mas Os Inconfidentes não tiveram muita dificuldade para descobrir.
A saída da maioria dos parlamentares inviabilizando a continuidade da sessão que discutiria, por exemplo, a questão relacionada ao trabalho infantil nas ruas de Santos, foi a ida para São Paulo (Capital) para prestigiar o título de cidadão paulistano concedido ao ex-prefeito e deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD). O desconforto dos que ficaram era nítido.
“Eu pedi para que fosse justificada a inversão de pauta, mas o líder do Governo não justificou. Infelizmente, hoje a gente deixou de tratar de temas importantíssimos como o veiculado pelos Inconfidentes retratando o trabalho infantil. Mas quinta-feira está aí e a gente vai tratar de tudo isso”, disse Rui, não imaginando o que iria ocorrer na sessão seguinte.

Vereador Rui De Rosis Junior (PL)
Quinta
Na quinta-feira (18), a história se repetiu. Novamente pauta invertida, discussões feitas às pressas e vereadores sem poder apresentar seus requerimentos e indicações que, geralmente, discutem problemas que afetam a vida dos santistas.
O motivo: a visita política e pré-eleitoreira do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que entre outras ações entregou o prédio do Palácio da Polícia de Santos reformado, como se o imóvel não estivesse pronto há meses e em perfeito uso.
O novo esvaziamento da sessão deixou o vereador e médico Marcos Caseiro (PT) extremamente irritado, chegando ao ponto de dizer que não fazia sentido continuar fazendo parte de um legislativo que demostra cada vez menos preocupação em discutir assuntos e criar leis que beneficiem a sociedade.
“Eu fico sempre até o fim, até que o último vereador se manifeste nesta casa, pois tenho respeito com cada um dos parlamentares e, principalmente, com a população que nos elegeu. É um absurdo saírem da sessão, sem dar a menor satisfação, para ficar puxando o saco. Somos pagos para trabalhar!”, disparou.

Vereador Marcos Caseiro (PT)
Confira quem ficou na Casa até o fim além de Marcos Caseiro:
Allison Sales (PL); Rui De Rosis Júnior (PL); Benedito Furtado (PSB); Chico Nogueira (PT); Fábio Duarte (PL); Lincoln Reis (Podemos); Paulo Miyasiro (Republicanos) e Rafael Pasquarelli (UNIÃO). A Vereadora Débora Camilo (PSOL) não compareceu à sessão por questões pessoais.

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