Ex-aliado faz vídeo alertando ‘farsa’ de Bolsonaro na Polícia Federal para sair da prisão
Ex-aliado faz vídeo alertando 'farsa' de Bolsonaro na Polícia Federal para sair da prisão Carlos Ratton

Ex-aliado faz vídeo alertando 'farsa' de Bolsonaro na Polícia Federal para sair da prisão
Carlos Ratton
10.01.2026
Fotos: Reprodução Facebook/ Agência Brasil - EBC
Em um vídeo publicado em seu perfil no Facebook, na última quarta-feira (07), o ex-deputado federal Julian Lemos, que já foi um dos principais aliados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, revela que os recentes acontecimentos relacionados à saúde do ex-capitão do Exército, dentro das dependências da Polícia Federal, é uma ‘farsa’ montada pelo próprio Bolsonaro e sua família, visando se livrar do cárcere.
“Eu conheço Bolsonaro como poucos. Não foi um dia, nem dois, nem um ano, nem dois, nem três. Caminhei com ele muito tempo. Eu provava até comida para Bolsonaro. Eu sim fui um dos braços direitos dele, dito por ele. O que eu venho falar aqui não com alegria, nem com satisfação, mas com dever moral, é para tentar despertar as pessoas”, afirma Lemos (foto).

Ex-deputado Julian Lemos
Entre comparações e detalhes sobre o tempo que andava lado a lado com o ex-presidente (hoje cumprindo pena em uma cela na Superintendência da Polícia Federal) Lemos disse acreditar que Jair Bolsonaro estaria na verdade com ‘abstinência de poder’. Diz que o ex-presidente não vive sem celular, não gosta de ler e que isso o está levando a uma depressão e a uma espécie de ‘luto negação’, fase anterior à conformação e depois à aceitação sobre sua atual condição carcerária.
“Ele quer voltar para casa. Reclama de barulho de ar, quando dormia de ventilador antes. Dá comida que chega fria. Bolsonaro tem uma estrutura médica em torno dele (dentro da PF), que eu acho que nem Lula (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) está tendo ultimamente. Mas ele está preso. Bolsonaro precisa ser avaliado, principalmente hoje, por psicólogos e psiquiatras totalmente independentes, nunca do Exército e muito menos médicos pessoais”, argumenta.
‘Modis Operandi’
Por ter participando de boa parte da ascensão política do ex-presidente, Julian Lemos diz que conhece como ninguém o ‘modo de operar’ de Jair Bolsonaro. “Sei como ele pensa. Eu sei exatamente porque eu fui sim, ainda que alguns filhos neguem, seu braço direito. Se Bolsonaro sair da cadeia hoje, começa a rodar o Brasil amanhã. A ideia é sensibilizar, gerar situações da mesma forma que acontecia quando ele era presidente. Não passava um dia sem parar naquele cercadinho e gerar mais uma situação, mais uma crise”.
Entre inúmeros outros argumentos de cunho pessoal, o ex-deputado diz que não suporta a farsa contínua por parte do ex-presidente da República e que ele deve se conformar que está preso pelos atos que cometeu. “Tem que passar por isso e vai ser muito pior. Não acredito em absolutamente nada”.
Julian Lemos refere-se, entre outras coisas, a versão que o ex-presidente estaria em estado de saúde grave após uma queda da cama dentro a carceragem da Polícia Federal, desmentida pelo cirurgião Cláudio Birolini, destruindo a narrativa de negligência e tortura.
Antes da queda, Michelle Bolsonaro e filhos já usavam as redes sociais para passar informações aos seus seguidores que o ex-capitão do exército, que esbanjava saúde durante sua gestão, participando de passeios de jet ski e motociatas, estaria com soluço contínuo e com problemas para dormir por conta do barulho do ar-condicionado. A ideia é forçar uma prisão domiciliar.
Chegaram a apelar por Direitos Humanos, quando sempre os desprezaram, e a falar de tortura, quando defenderam, inclusive Bolsonaro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, considerado o maior torturador do Brasil, já falecido sem pagar pelos crimes que cometeu no período da Ditadura Civil-Militar Brasileira.

Ministro Alexandre de Moraes
Ministro
As tentativas da família reverberou. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve que declarar nula a sindicância instaurada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que apurava uma suposta falta de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enquanto ele cumpre pena.
Segundo o Conselho, denúncias levantaram preocupação sobre a assistência prestada. No entanto, para Moraes, a iniciativa extrapolou os limites legais, elevando ainda mais a tensão entre instituições e mantendo o caso Bolsonaro no centro do debate político e jurídico do país.
A decisão foi proferida na noite desta quarta-feira (7/1) e afirma ilegalidade e desvio de finalidade por parte do CFM. Segundo Moraes, o conselho não possui competência para fiscalizar a atuação da Polícia Federal no caso.
Alexandre de Moraes destacou um relatório médico da própria Polícia Federal que detalha as condições de saúde de Bolsonaro após a queda sofrida dentro da cela. De acordo com o documento, não houve omissão nem negligência no atendimento prestado ao ex-presidente.
“Não houve qualquer inércia da equipe médica da Polícia Federal, que atuou de forma correta e competente”, escreveu Moraes, acrescentando que exames realizados no Hospital DF Star não apontaram sequelas ou agravamento do quadro clínico.
Com a anulação da sindicância, Alexandre de Moraes determinou que o presidente do CFM seja ouvido pela Polícia Federal. Além disso, o Hospital DF Star terá 24 horas para encaminhar todos os exames e laudos médicos recentes de Bolsonaro ao STF.
Vigilância especial
Informações dão conta que a PF montou um esquema especial de segurança para a vigilância de Bolsonaro, preso na Superintendência da PF desde o dia 22 de novembro. No local, a segurança é feita de forma integrada entre a Polícia Federal e a Polícia Penal Federal (PPF).
Segundo as informações, há um plantão permanente composto por oito agentes da PPF, que se dividem em duplas e se revezam diariamente para garantir vigilância constante.
A atuação conjunta ocorre tanto na custódia dentro da unidade quanto nas movimentações externas autorizadas pela Justiça. Desde o dia da prisão, a presença da Polícia Penal Federal foi solicitada pela própria PF, como medida adicional de segurança.
Sempre que há necessidade de deslocamento do ex-presidente, como ocorreu nesta quarta-feira (7/1), quando Bolsonaro foi levado ao Hospital DF Star para a realização de exames médicos, é montada uma escolta aproximada.
Nessas situações, agentes da PF e da PPF atuam lado a lado, garantindo que todo o trajeto seja monitorado. O esquema também conta com o apoio de órgãos de segurança do Distrito Federal, incluindo a Polícia Militar (PM), reforçando o controle nas áreas externas.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, por cinco crimes relacionados a um plano de Golpe de Estado para impedir Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de assumir o poder após as eleições de 2022. O ex-presidente foi condenado pelos crimes de: liderança de organização criminosa; Tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito; Golpe de Estado; Dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O reforço na segurança ocorre em meio à grande repercussão política e social do caso, além das recentes discussões envolvendo o estado de saúde do ex-presidente, o que mantém o tema em evidência nos bastidores do poder.

Bolsonaro e Lemos na época que eram "unha e carne"
Quem é Lemos
Eleito deputado federal em 2018 pelo PSL, sigla liderada por Jair Bolsonaro na época, o empresário de Campina Grande (Paraíba) foi o 10º candidato mais votado na Paraíba. Em 2022, já no União Brasil, Lemos obteve 36.530 votos e não conseguiu ser reeleito, ficando com a primeira suplência do partido.
Durante o mandato na Câmara dos Deputados, Lemos votou a favor da Reforma da Previdência (PEC 6/2019), do congelamento de salários de servidores públicos (PLP 39/2020) e contra a transformação do auxílio emergencial permanente em programa permanente (PEC 15/2022).
O rompimento com Bolsonaro ocorreu em 2019, após ficar do lado do ex-ministro Gustavo Bebianno nas brigas com o presidente e seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

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