Ex-assessor de Bolsonaro preso tem histórico de supremacista branco

Ex-assessor de Bolsonaro preso tem histórico de supremacista branco Da Reportagem/Estadão e Agência Brasil

Ex-assessor de Bolsonaro preso tem histórico de supremacista branco

Ex-assessor de Bolsonaro preso tem histórico de supremacista branco

Da Reportagem/Estadão e Agência Brasil

02/01/2025

Foto: Reprodução TV Senado/Agência Brasil - EBC 

O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Filipe Martins, preso nesta sexta-feira (2), em sua casa, em Ponta Grossa, no Paraná, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem histórico de supremacista branco - indivíduo que acredita que as pessoas brancas são superiores às de outras raças e que, portanto, devem dominar ou controlar a sociedade.

Ele até foi acionado na Justiça, em março de 2021, acusado de fazer um gesto idêntico ao utilizado por supremacistas brancos dentro do Senado, o que resultou na abertura de um processo criminal por racismo. Após a repercussão, ele disse que apenas ajustava a lapela do terno (ver a foto abaixo).

O Ministério Público Federal (MPF), no entanto, pediu a condenação do ex-assessor, alegando que o sinal buscava reproduzir um acrônimo formado pelas letras “W” e “P”, em referência à expressão racista White Power (Poder Branco, em inglês).

Martins foi absolvido na primeira instância, mas o MPF recorreu. Dois anos depois, em novembro de 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou a absolvição, e o ex-assessor voltou a ser investigado por suposta apologia ao movimento supremacista.

Em dezembro de 2024, ele foi condenado pela Justiça Federal em Brasília por racismo. A pena foi fixada em dois anos e quatro meses de reclusão, convertida em prestação de serviços comunitários, além de multas que somam R$ 52 mil. À época, a defesa de Martins alegou que a decisão se baseava em “conjecturas políticas”.

Réu

Martins é réu do chamado Núcleo Dois, acusado de “operacionalizar” a tentativa de Golpe de Estado. Os integrantes desse grupo foram acusados de oferecer apoio jurídico, operacional e de inteligência ao plano, incluindo a elaboração da chamada “minuta golpista”, um esboço de documento que previa a imposição de um estado de exceção no País.

Segundo a acusação, Martins teria elaborado uma das versões da minuta, o que é negado por sua defesa. Ele foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro, a 21 anos e seis meses de prisão por cinco crimes.

Em 29 de dezembro, Moraes tinha determinado que a defesa de Martins esclarecesse em até 24 horas uma possível violação das medidas cautelares impostas no âmbito da ação penal sobre a tentativa de golpe.

O ministro alega que Martins acessou seu perfil no LinkedIn, naquele mesmo dia, para buscar perfis de terceiros, descumprindo a proibição de acesso a redes sociais determinada por Moraes.

Martins se aproximou da família Bolsonaro em 2014, ao conhecer o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela internet. O “Zero Três do ex-presidente se tornou seu padrinho político. Martins também se declara entusiasta de Olavo de Carvalho, mentor intelectual do bolsonarismo.

O ex-assessor foi apontado como integrante do chamado “gabinete do ódio”, grupo acusado de usar redes sociais para difundir desinformação contra adversários de Bolsonaro. Desde 2022, ele não atualiza seu perfil no Instagram, onde ainda se apresenta como assessor especial.

Eduardo

A Polícia Federal determinou o “retorno imediato” de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão, carreira da qual estava afastado para exercer o cargo de deputado federal. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está foragido em território norte-americano.

Eleito deputado federal pelo estado de São Paulo pela primeira vez em 2015, Eduardo Bolsonaro teve seu último mandato cassado no dia 18 de dezembro por não ter comparecido às sessões deliberativas da Câmara dos Deputados.

Como não ocupa mais o cargo de deputado, ele deverá retornar à Polícia Federal. O ato declaratório da corporação foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (2) e determina “a cessação do afastamento para exercício de mandato eletivo, a partir de 19 de dezembro de 2025”.

Fuga

Em março do ano passado, Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e pediu licença do mandato parlamentar. A licença terminou em 21 de julho, mas o parlamentar não retornou ao Brasil e já acumulava um número expressivo de faltas não justificadas em sessões plenárias.

Em setembro, Motta rejeitou a indicação do deputado para exercer a liderança da minoria na Casa, argumentando que não há possibilidade de exercer o mandato parlamentar estando ausente do território nacional.

Eduardo Bolsonaro também é réu em processo no STF por promover sanções contra o Brasil para evitar o julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro, pela trama golpista.

Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou para a Superintendência da PF (Polícia Federal) após quase 10 dias de internação no hospital DF Star, em Brasília, para operar uma hérnia inguinal bilateral. Além dessa cirurgia, ele passou por outros três procedimentos durante a hospitalização.

Antes de ter alta e voltar para a Superintendência, onde cumpre pena de 27 anos e três anos de prisão pela trama golpista, a defesa de Jair Bolsonaro apresentou para o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), um pedido de prisão domiciliar. O magistrado negou a solicitação.

 

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