Fake News da Revista Veja é prenúncio do que seria o possível governo Flávio Bolsonaro

A velha história da mídia tradicional que interfere nas eleições para obtenção de vantagens não republicanas

Fake News da Revista Veja é prenúncio do que seria o possível governo Flávio Bolsonaro

Carlos Ratton

Com informações da revista Piauí, Terra, Folha de S.Paulo, UOL e Agência Lupa.

10.10.2026

Fotos: Reprodução/Lula Marques Agência Brasil

A Policia Federal (PF), a Procuradoria Geral da República (PGR) e até a própria defesa do banqueiro desmentiram pontos centrais da reportagem que tentou ligar o presidente Luís Inácio Lula da Silva a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. No entanto, políticos do Partido Liberal (PL) da Baixada Santista, incluindo um vereador que costuma usar as redes sociais para combater mentiras, estão propagando a jogada política para tentar imputar a Lula as relações de Flávio Bolsonaro.    

A Veja afirmou que Vorcaro teria financiado irregularmente um documentário sobre Lula em troca de acesso a negócios no governo. Mas a PF afirmou que Vorcaro não prestou depoimento nem entregou documentos com o conteúdo publicado pela revista e a PGR negou que o suposto anexo citado pela revista tenha integrado as propostas de delação.

E mais: O empresário Fábio Carvalho, dono da Veja, teria participado de um jantar com Flávio Bolsonaro antes de a revista publicar a reportagem.  A informação sobre o encontro foi revelada por João Moreira Salles em artigo na revista Piauí e ganhou peso diante das suspeitas sobre possíveis interesses políticos por trás da publicação. Há informações que a Veja ganharia a concessão de uma TV aberta caso Flavio seja eleito.

Flávio Bolsonaro

Além disso, a extração do celular de Vorcaro feita pela PF não encontrou menção a pagamento ou patrocínio do documentário sobre Lula no período investigado. A própria reportagem da Veja também não apresentou prova de um suposto encontro entre Lula e Vorcaro.

Vale lembrar que a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, já havia adiantado que procuradores familiarizados com as investigações do Banco Master afirmaram à sua coluna acreditar que o áudio em que Daniel Vorcaro afirma ter destinado recursos para um documentário sobre a vida de Lula foi gravado na prisão para ser usado contra o petista na campanha eleitoral.

A gravação, se feita dessa forma, seria ilegal já que nenhuma das pessoas que ele recebe na Papudinha, em Brasília, onde está preso, poderia entrar no estabelecimento com gravador ou celular.

Ao mesmo tempo, foi veiculado que os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, acionaram a Polícia Federal pedindo a investigação sobre uma suposta articulação entre o Vorcaro e a campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).

A notícia de fato (denúncia) seria a divulgação pela imprensa de uma negociação para a realização de entrevista do ex-banqueiro na televisão e informações de que teria sido entregue a terceiros uma gravação de depoimento atribuído a Vorcaro, com menções a adversários de Flávio. Os advogados acreditam em articulação política sem provas às vésperas do segundo turno.

O Grupo Prerrogativas pede a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão. Os advogados também pedem que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes envolvendo o Master, e o Procurador-Geral Eleitoral.

Além de alegar que as ações buscam interferir na disputa de segundo turno, os advogados fazem menção a uma tentativa de "embaraçar as investigações, deslocando o foco dos repasses do 'Dark Horse' e das demais frentes do caso Master para imputações dirigidas a terceiros, formando ambiente político favorável à soltura de Vorcaro e à impunidade dos envolvidos, entre eles o próprio candidato Flávio Bolsonaro.

Ainda neste sábado, foi veiculado a campanha de Flávio Bolsonaro protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quinta-feira (8), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que busca remover publicações das redes sociais e impor restrições a jornalistas e veículos de comunicação independentes que tentam publicar a verdade e não criar manchetes irreais. 

Flávio e Vorcaro

Meu irmão

Como já amplamente revelado, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) mantém uma relação financeira e de proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) que é alvo de investigações da Polícia Federal (PF).

Principais pontos da relação são os seguintes: financiamento de cinebiografia. Flávio Bolsonaro admitiu ter negociado com Vorcaro um patrocínio privado de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para o filme "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Desse total, cerca de R$ 61 milhões foram efetivamente repassados.

Outro ponto: relatórios da PF revelaram intensas trocas de mensagens e pelo menos quatro encontros presenciais entre Flávio e Vorcaro entre o segundo semestre de 2025 e o início de 2026, incluindo contatos após a soltura do banqueiro. O detalhamento dessas conversas foi publicado pela Piauí.

Em janeiro de 2025, Flávio utilizou uma aeronave de Vorcaro para fazer um trajeto entre os Estados Unidos e o Brasil. A PF apura o destino dos recursos repassados, a suposta ligação com fundos nos Estados Unidos (como o fundo Havengate) e se parte do dinheiro foi desviada ou utilizada para financiar atividades de aliados políticos, como Eduardo Bolsonaro e Ciro Nogueira.

Vorcaro

Vorcaro foi preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero e desdobramentos como o "Projeto DV", estando detido em Brasília. A defesa nega irregularidades, argumenta que as mensagens interceptadas eram desabafos pessoais e pede a revogação da prisão preventiva.

Veja as acusações:

• Crimes financeiros: Gestão fraudulenta, estelionato, emissão de títulos financeiros falsos e lavagem de dinheiro bilionária (ligada a um rombo estimado em dezenas de bilhões e ao maior ressarcimento da história do FGC).

• Organização criminosa e milícia privada: Acusado de liderar esquemas que incluíam núcleos operacionais (como o grupo batizado de "A Turma") para monitoramento clandestino, intimidações, ameaças e ataques cibernéticos contra adversários e autoridades.

• Ataques hackers e espionagem digital: Investigado por coordenar invasões de sistemas e perseguição digital contra fiscais, jornalistas e integrantes do Banco Central envolvidos na liquidação extrajudicial do Banco Master.

• Envolvimento político e repasses suspeitos: Alvo de apurações sobre transferências milionárias (como os repasses investigados em parceria com aliados e figuras políticas, incluindo investigações sobre financiamento de produções audiovisuais e conexões com campanhas).

 

 

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